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quarta-feira, 31 de julho de 2024

Alterações na Geopolítica do Mediterrâneo

Dia memorável é, para a geopolítica do Mediterrâneo, este 30 de Julho.

No Magrebe atlântico, Rabat vê a sua soberania no Sahara Ocidental ser, finalmente, reconhecida por Paris, numa carta do Presidente da República francesa ao soberano marroquino Mohamed VI. Este reconhecimento provocou uma violenta reacção de Argel (verdadeiro padrinho do Polisário, muito interessado num acesso directo ao Atlântico...) e a retirada do embaixador argelino em França.

Na outra ponta do velho 'mare nostrum' dos romanos (mas só depois da derrota final de Cartago), foi um péssimo dia para os movimentos terroristas islamistas que se reclamam da Palestina. O Hezbollah teve os seus centros de comando, nos arredores de Beirute, pulverizados. E viu, nessa pulverização, desaparecer alguns dos seus dirigentes de topo. Mas o grande acontecimento do dia, nestas matérias de troca de amabilidades, é sem dúvida a execução em Teherão (em Teherão...!!!) do dirigente máximo do Hamas, pouco depois de ter sido recebido pelo novo presidente da república islamista...

Ismail Haniyeh, a sua última reunião (com o nóvel presidente do Irão), a 30 Julho 2024, em Teherão .

A geopolítica do Mediterrâneo e sua margem sul teve hoje alterações bem importantes. Alterações que vão marcar as evoluções nos próximos tempos. Vamos ver até onde. E com que novo presidente em Washington...

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

O terrorismo islamista visto e analisado por quem o conhece bem

Quando o coração da Europa está posto a ferro e fogo, é muito útil saber do que se fala quando se fala de terrorismo islamista.

O Autor:

Doutor em ciência política e diplomado em física nuclear, o General Jean-Bernard Pinatel é “officier parachutiste, instructeur commando, dirigeant d’ entreprise et consultant international, expert reconnu en intelligence économique et en gestion des risques. Titulaire de plusieurs titres de guerre, blessé en opérations, il est breveté de l’Ecole Supérieure de Guerre et ancien auditeur de l’IHEDN. Il est l’ auteur de cinq livres sur les questions géopolitiques.”

A Obra:

“Il s'agit ici de proposer une histoire de l'Islam radical, sans concession pour ceux qui s'en servent pour atteindre leurs objectifs stratégiques ou qui n'ont pas été capables d évaluer à sa juste mesure la menace qu'il représentait pour la sécurité des Français. Ce travail de synthèse couvre une période de près de trois siècles. Il est basé sur une très riche bibliographie française et étrangère. Mais c'est aussi le regard d'un officier parachutiste devenu chef d'entreprise, homme de terrain et de réflexion qui connaît ces pays du Moyen-Orient et du pourtour méditerranéen.

“L'auteur, en citoyen libre et responsable, réfute les explications sommaires de commentateurs soucieux de sensationnel, dévoile les signaux faibles et les facteurs porteurs d'avenir qui déterminent l'évolution de cette guerre totale que mène l'islamisme radical pour instaurer partout dans le monde des Etats islamiques fondés sur la Charia. Il propose une stratégie globale pour y faire face après avoir répondu à la question suivante: l'Islam est-il compatible avec la république?”

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Contra as ameaças turca e iraniana, Árabes sunitas viram-se para Israel

O Médio Oriente, nas últimas duas décadas, tem sido varrido por uma verdadeira "chaos operation" que altera radicalmente a realidade geopolítica herdada do século XX. 

Aspecto maior desta alteração é a assunção pelos Estados da região do primado dos seus interesses próprios sobre quaisquer fantasias de "unidade islâmica" ou mesmo de "nação árabe". 

Ankara, Teherão, Riade ou mesmo qualquer pequeno emirado assumem agora, de forma cada vez mais clara e sem qualquer timidez, os seus interesses geoestratégicos próprios. Isto conduz ao surgimento de novos riscos, novas ameaças, novos conflitos e, claro, novos posicionamentos, novos alinhamentos e novas dinâmicas. 

Esta fragmentação do "universo islâmico" da região faz-se à volta de três pólos (persas chiitas, árabes sunitas e os turcos sunitas), tendo cada um destes pólos interesses específicos e estratégias bem distintas de cada um dos outros. 

Ameaçados pelo expansionismo turco (releia-se Lawrence da Arábia...) e pela "militância revolucionária" dos ayatolas de Teherão e seus 'pasdarans", os sunitas árabes procuram o apoio ocidental (americano e israelita) para sobreviverem a estas ameaças. 

É esta evolução, que Trump soube explorar, que explica os recentes acordos, assinados em Washington, em que dois pequenos Estados árabes e sunitas reconhecem Israel. Uma evolução geopolítica que é também a segunda morte de Bin Laden e dos seus sonhos de "unidade" islamista. Quer se goste ou não, sob a batuta de Trump, o jogo mudou radicalmente. 

Assim se confirma a velha máxima de que não é com os amigos que se fazem alianças ("se já somos amigos para que precisamos de uma aliança?" costumava perguntar o velho comandante Virgílio de Carvalho) mas sim com quem se partilham sérios inimigos...

Esta "surpresa" assinada em Washington só pode surpreender aqueles que... gostam de ser surpreendidos. A italiana Limes mostrou imediatamente que a Itália tem quem siga atentamente e saiba ler o que se passa na sua vizinhança, num texto de Niccolò Locatelli, ilustrado com dois soberbos mapas da nossa amiga Laura Canali 

L’accordo tra Israele ed Emirati Arabi Uniti è contro l’Iran e contro la Turchia


Carta di Laura Canali.

di Niccolò Locatelli | Limes | 13/08/2020

L’intesa raggiunta con la mediazione degli Stati Uniti consolida l’asse anti-persiano e rappresenta un avvertimento nei confronti di Erdoğan. E la Palestina? Di fatto è già dimenticata.

ISRAELE, EMIRATI ARABI UNITI, SCONTRO USA-IRAN, TURCHIA, ARABIA SAUDITA, APPUNTI GEOPOLITICI, MEDIO ORIENTE

Con la mediazione degli Stati Uniti, Israele e gli Emirati Arabi Uniti hanno raggiunto un accordo per la normalizzazione delle relazioni diplomatiche.

Gli Emirati sono appena il terzo paese arabo dopo Egitto (1979) e Giordania (1994) a stabilire formalmente un rapporto con lo Stato ebraico, che è stato prima combattuto militarmente e poi isolato diplomaticamente dai vicini regionali per via del suo dominio sulla Palestina.

Sulla Palestina si registra una novità, per quanto temporanea: Israele si è impegnato a sospendere la dichiarazione di sovranità su territori assegnatigli dalla “Visione per la pace“, il piano del presidente Usa Donald Trump per risolvere il conflitto israelo-palestinese (eliminando di fatto la possibilità di uno Stato palestinese indipendente). A detta di Trump, invece di dedicarsi alla Palestina, il governo del primo ministro israeliano Benjamin Netanyahu si concentrerà sull’ampliamento dei rapporti “con il mondo arabo e islamico”.

Proprio nel riferimento al mondo arabo e islamico sta l’importanza dell’accordo raggiunto a coronamento di un processo di disgelo in corso da anni, che ha riguardato non solo gli Emirati ma anche l’Arabia Saudita. Questi tre paesi hanno in comune lo stesso protettore – gli Stati Uniti – e lo stesso rivale – l’Iran, potenza sciita non-araba che conta su una sfera d’influenza estesa fino al Mediterraneo. Gli Emirati possono fare da apripista a un’intesa in chiave anti-iraniana tra mondo arabo e Israele.

L’accordo tra Israele ed Emirati Arabi Uniti riguarda anche la Turchia. Sotto il presidente Recep Tayyip Erdoğan, Ankara si è resa protagonista di un’assertiva politica mediorientale e africana sostenuta idealmente dai richiami all’impero ottomano e finanziamente dal Qatar. Mentre il rapporto della Turchia con Israele attraversa attualmente uno dei momenti più alti di questo millennio, quello con Abu Dhabi è ai minimi termini. E non potrebbe essere altrimenti, dato che i due paesi hanno agende in conflitto ovunque, dalla Libia alla Siria, con Erdoğan che è rimasto l’unico sostenitore dell’islamismo politico della Fratellanza musulmana.

La mediazione di Trump è un segnale dell’apprezzamento di Washington per l’ambizioso principe ereditario Mohammed bin Zayed, leader di fatto della federazione emiratina. In una fase in cui l’Arabia Saudita – tradizionale cliente degli Stati Uniti – attraversa una forte instabilità legata al crollo del prezzo del petrolio e soprattutto alla scalata al potere del principe ereditario Mohammed bin Salman (scalata lungi dall’essere compiuta). Abu Dhabi serve dunque agli Usa non solo contro l’Iran, ma anche per contenere la Turchia, membro Nato che non disdegna abboccamenti tattici con la Russia per ampliare il proprio margine di autonomia dalla superpotenza.

L’avvicinamento tra Israele e mondo arabo implicherà la progressiva scomparsa della questione palestinese dalle agende regionali. Una scomparsa già avvenuta di fatto, che però non può ancora essere esplicitata dai paesi arabi per motivi di politica interna.


Carta di Laura Canali 

ISRAELE, EMIRATI ARABI UNITI, SCONTRO USA-IRAN, TURCHIA, ARABIA SAUDITA, APPUNTI GEOPOLITICI, MEDIO ORIENTE



terça-feira, 18 de agosto de 2020

“Il Turco alla Porta”, a nova edição da Limes

Di cosa tratta:  Il numero è incentrato sulla strategia imperiale della Turchia e sul suo impatto sugli interessi nazionali dell’Italia. La Turchia sta infatti provando oggi a recuperare una dimensione persa con la fine dell’impero ottomano a seguito della prima guerra mondiale.

https://www.limesonline.com/il-turco-alla-porta-il-numero-720-di-limes/119442


Perché dobbiamo occuparci della Turchia

Ankara si è immersa nel Mediterraneo per recuperare il relitto della potenza perduta, innescando un maremoto geopolitico .....

https://www.limesonline.com/geopolitica-turchia/119452

 

La guerra Emirati-Turchia rimpicciolisce l’Italia

Il conflitto tra Turchia ed Emirati Arabi Uniti (Eau) riveste un ruolo fondamentale e crescente tra Mediterraneo orientale e Africa, tra Levante e Asia occidentale. Abu Dhabi vede il governo di Recep Tayyip Erdoğan come la più pericolosa minaccia strategica per i propri interessi e per la propria visione del futuro geopolitico di un quadrante in fermento. Una minaccia che è sempre più determinata a .....

https://www.limesonline.com/cartaceo/la-guerra-emirati-turchia-rimpicciolisce-litalia

 

Altro che Islam. Guardate la Mappa per Capire la Turchia

L’Occidente trascura l’urgenza turca di proiettarsi nel Caucaso e nel Mediterraneo orientale per proteggere il ventre anatolico .....

https://www.limesonline.com/cartaceo/altro-che-islam-guardate-la-mappa-per-capire-la-turchia


Entretanto, no Le Monde:

Tensions en Méditerranée: Ankara ne reculera devant aucune «sanction»

https://www.lepoint.fr/monde/tensions-en-mediterranee-ankara-ne-reculera-devant-aucune-sanction-15-08-2020-2387845_24.php

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Turquia-Qatar: Da Energia Ao Apoio Militar

Giuseppe Gagliano | 14 de Julho de 2020

 
Está agora claro que a Turquia tem também interesses de natureza económica no actual conflito da Líbia, tanto em relação ao petróleo quanto em relação às infra-estruturas de electricidade.

Nesse sentido, devido ao prolongado conflito, os problemas significativos relacionados à infra-estrutura de electricidade no oeste da Líbia levaram a Turquia, através da Karadeniz Holding, a estabelecer um acordo para o fornecimento de electricidade na parte ocidental do país. Líbia, este contrato que faria parte da parceria económico-militar mais ampla entre o governo de Fayez al-Serraj e Ancara, estabelecido em Junho.

Outra acção do presidente turco, Recep Tayyp Erdogan, no âmbito do maior projecto de projecção de potência da Turquia, foi a da reunião de Julho com o xeque Tamim bin Hamad al-Thani, emirado do Emir do Qatar, encontro de que surgiu a profunda afinidade ideológica e religiosa entre os dois países, determinada pelo apoio político ao Hamas e à Irmandade Muçulmana (https://www.notiziegeopolitiche.net/94241-2/) e pela sinergia estratégica indiscutível em operação anti-EAU.

A Turquia sempre apoiou militarmente o Qatar ao receber em troca de amplo apoio financeiro, basta dizer que, por exemplo, o vice-comandante das forças de Ancara, Ahmed bin Muhammad, também é chefe da academia militar do Qatar. Isso significa que o treino dos quadros militares é seleccionado com base em escolhas políticas e religiosas pró-turcas.

Além disso, a presença de forças de segurança turcas no Qatar representa de maneira tangível a relevância da influência político-militar turca, basta pensar na infra-estrutura militar turca Tariq ibn Ziyad, na qual está presente o comando da "Força conjunta combinada Qatar-Turquia".

As exportações de armas do Qatar para a Turquia aumentaram drasticamente, permitindo que Ancara alcance receita de US$ 335 milhões, enquanto a operação militar turca Fonte de Paz, realizada no nordeste da Síria, é foi apoiado abertamente por Doha, também para expandir a influência da Irmandade Muçulmana.

No que diz respeito aos investimentos, o Qatar desembolsou US$ 15 mil milhões desde 2018 e adquiriu uma participação de 50% na BMC, uma fabricante turca de veículos blindados, cujos parceiros turcos são amigos conhecidos de Erdogan na produção de Altay, o tanque de batalha principal da nova geração, mas também há o caso de uma empresa de software militar controlada pelo estado em Ancara, que assinou um acordo de parceria com a al-Mesned Holdings no Qatar para uma joint venture especializada em soluções cibernéticas -segurança.

No entanto, um dos acordos mais importantes para remediar a grave situação económica na Turquia é o de 20 de maio, graças ao qual o Banco Central da Turquia anunciou que triplicou seu acordo de câmbio com o Qatar.

https://www.notiziegeopolitiche.net/libia-i-rapporti-di-turchia-e-qatar-dallenergia-al-sostegno-militare/


quinta-feira, 23 de abril de 2020

Caos: E o Magrebe aqui à porta...


Argélia: Sobre a caótica situação actual revela o ‘Africa Intelligence’:

Abdelmadjid Tebboune entre déjà dans la zone rouge 

Un œil sur l'économie en panne, l'autre sur la résurgence du Hirak, Abdelmadjid Tebboune va entrer dans la période la plus délicate depuis son élection en décembre. Le président manque de leviers pour faire face à la contestation, ce qui [. [...]



“Envolée des cours du blé, récolte en berne, effondrement du marché pétrolier: à l'approche du Ramadan, le président Abdelmadjid Tebboune est confronté à un cocktail dévastateur pour les finances publiques... et la paix sociale.”

Abdelmadjid Tebboune, presidente da Argélia


terça-feira, 24 de dezembro de 2019

Argélia: Morte do General Gaid Salah É mais um Passo para o Abismo...

A morte súbita (ataque cardíaco) do patrão das Forças Armadas argelinas escassas horas depois de ter presidido à reunião do estado-maior que ordenou a prisão de vários generais e oficiais superiores e desmantelou um golpe de estado em marcha pode ter decapitado o aparelho militar argelino, a única instituição que ainda funciona(va) na Argélia.


O general Gaid Salah, um berbére de 79 anos que tinha entrada ainda adolescente na luta armada pela libertação do país, destacou-se nos anos da guerra civil contra os islamistas e foi durante muitos anos o grande apoio do eterno presidente Bouteflika mas foi também quem, indo ao encontro de milhões de argelinos que nas ruas se opunham ao decrépito e mumificado presidente, o mandou demitir-se.


Desde a queda de Bouteflika, foi o general quem dirigiu, de facto, a Argélia dando liberdade de actuação à Justiça para meter na cadeia os corruptos da família de Bouteflika (o irmão deste está a cumprir 15 anos de prisão...), ex-primeiros-ministros e ministros, dirigentes patronais e outras personagens que tais. Ao mesmo tempo, preparou eleições presidenciais (realizadas no passado dia 12) e também legislativas que deveriam realizar-se em breve... A sua última acção terá sido o desmantelamento de um golpe que visava substituir o presidente eleito pelo candidato que tinha ficado em 4º lugar.


sábado, 27 de julho de 2019

Tunísia: Morte do Presidente Abre a Porta ao Caos Político


A morte do presidente Béji Caïd Essebsi, da Tunísia, aos 92 anos, ameaça desestabilizar ainda mais a África islâmica e mediterrânica. O velho berbére, primeiro presidente democraticamente eleito no país que iniciou o movimento das mal chamadas “primaveras árabes”, foi até agora o dique que susteve a vaga árabo-islamista.


Homem de confiança do presidente Bourguiba (o líder da independência da Tunísia), Béji Caïd Essebsi ocupou as pastas estratégicas dos ministérios do Interior, Defesa e Negócios Estrangeiros e foi ainda presidente do Parlamento.


Afastou-se, porém, em 1991, recusando a sua colaboração ao sucessor de Bourguiba, o presidente Ben Ali. Vinte anos depois, aquando da insurreição popular de 2011, regressou para organizar o ‘containment’ do assalto islamista ao Estado.

Primeiro-ministro durante o ano de 2011, cria em seguida um novo partido, o Nidaa Tounes, para se bater com o bem organizado, estruturado e financiado partido islamista Ennahdha. 


Em Dezembro de 2014, Béji Caïd Essebsi é eleito, na segunda volta, com 56%, presidente da Tunísia. A 25 de Julho, na sequência de uma “indisposição súbita”, Essebsi terminou a sua missão de Estado, no hospital militar de Tunis.



Com 12 milhões de habitantes, em 163.000 Km2, entre o mar Mediterrâneo e o deserto do Sahara, a Tunísia está “entalada” entre uma Líbia em decomposição acelerada e uma Argélia a que só o peso da hierarquia militar impede de soçobrar no caos. O desaparecimento do presidente Essebsi acontece no pior momento, tanto para a Tunísia como para a região e mesmo para os vizinhos europeus, como Portugal...



terça-feira, 12 de março de 2019

Fim de uma época: Argélia 1 – Bouteflikas 0


Bouteflika retira-se, com carta à Nação, mas o seu clan familiar não quer sair de cena e tenta ganhar tempo (eleições adiadas e sem data marcada). Em Tizi-Ouzou (coração da Kabília) há festa e quer-se o fim do sistema e a instauração da II República. O PREC começou e a hierarquia militar vai ter de “segurar as pontas”... https://www.youtube.com/watch?v=tGAR3BYaQJA


Para o ‘Le Point’, a Argélia mostra prudência face aos "engagements" de Bouteflika:

“L'Algérie aura un nouveau président avant la fin de l'année 2019. C'est ce qu'ont assuré lundi soir les autorités du pays, après la décision d'Abdelaziz Bouteflika de renoncer à briguer un cinquième mandat à la tête du pays.

“Dans un message à la nation publié par l'agence officielle APS, le président algérien, resté longtemps à Genève pour des examens médicaux alors que le peuple manifestait contre sa candidature, avait dans un même temps annoncé le report de l'élection présidentielle prévue initialement pour le 18 avril 2019.

“Dans ce message, Abdelaziz Bouteflika précise que l'élection présidentielle aura lieu "dans le prolongement d'une conférence nationale" chargée de réformer le système politique et d'élaborer un projet de Constitution d'ici à fin 2019.

“Dans les rues d'Algérie, les réactions étaient mitigées en milieu de soirée lundi, rapporte Le Monde, après ces annonces. Car si nombreux sont les Algériens qui se réjouissent de la décision d'Abdelaziz Bouteflika de renoncer à briguer un nouveau mandat, nombreux sont aussi ceux qui s'interrogeaient sur ce fameux report de l'élection présidentielle.



“Lundi soir, Ramtane Lamamra, nouvellement nommé vice-Premier ministre, a donc éclairci la situation en annonçant à RFI que des élections libres seraient organisées en Algérie avant la fin de l'année 2019. "Il appartient maintenant aux femmes, aux hommes et surtout aux jeunes de ce pays de se hisser au niveau, au diapason de cette responsabilité historique", a-t-il déclaré à Radio France Internationale. "Nous n'avons pas droit à l'erreur, je crois qu'ensemble nous bâtirons cet avenir meilleur pour le peuple algérien", a-t-il ajouté.

“Dans la foulée de l'annonce du renoncement d'Abdelaziz Bouteflika, le Premier ministre algérien Ahmed Ouyahia a présenté sa démission. Il a été remplacé par Nourreddine Bedoui qui occupait jusqu'à présent le poste de ministre de l'Intérieur. C'est à lui qu'incombe la tâche de former un nouveau gouvernement. Pour ce faire, il sera épaulé du vice-Premier ministre Ramtane Lamamra, également nommé ministre des Affaires étrangères, un poste qu'il a occupé de 2013 à 2017....”



A carta de Bouteflika à Nação, distribuída pela oficial Agence de Presse Algérienne

“Chères concitoyennes,
Chers concitoyens,

L'Algérie traverse une étape sensible de son Histoire. Ce 8 mars, pour le troisième vendredi consécutif, d'importantes marches populaires ont eu lieu à travers le pays. J'ai suivi ces développements et, comme je vous l'ai déjà annoncé le 3 de ce mois, je comprends les motivations des nombreux compatriotes qui ont choisi ce mode d'expression dont je tiens, une fois de plus, à saluer le caractère pacifique.

Je comprends tout particulièrement le message porté par les jeunes en termes, à la fois, d'angoisse et d'ambition pour leur avenir propre et pour celui du pays. Je comprends aussi le décalage qui a pu être source de préoccupation entre, d'un côté, la tenue de l'élection présidentielle à une date techniquement appropriée en tant que jalon de gouvernance dans la vie institutionnelle et politique et, de l'autre, l'ouverture, sans délai indu, du vaste chantier, politiquement hautement prioritaire, de conception et de conduite de réformes profondes dans les domaines politique, institutionnel, économique et social, avec la participation la plus large possible et la plus représentative de la société algérienne, y compris la juste part devant revenir aux femmes et aux jeunes. Je comprends enfin que le projet rénovateur de notre État-nation, dont je vous ai annoncé les principales articulations, gagnerait à bénéficier d'un surcroît de clarifications et être préparé, pour chasser tout doute des esprits, par la réunion des conditions de son appropriation par toutes les couches sociales et les composantes de la Nation algérienne.

En toute fidélité au serment que j'ai fait devant le peuple algérien de protéger et de promouvoir en toutes circonstances les intérêts bien compris de notre Patrie, et après les consultations institutionnelles requises par la Constitution, j'invoque la grâce et le soutien de Dieu Tout-Puissant pour me prévaloir des valeurs supérieures de notre peuple dont nos glorieux martyrs et nos valeureux moudjahidine ont consacré l'immortalité pour présenter à l'adresse de vos cœurs et à vos consciences les décisions suivantes:

Premièrement: il n'y aura pas de cinquième mandat et il n'en a jamais été question pour moi, mon état de santé et mon âge ne m'assignant comme ultime devoir envers le peuple algérien que la contribution à l'assise des fondations d'une nouvelle République en tant que cadre du nouveau système algérien que nous appelons de tous nos vœux. Cette nouvelle République et ce nouveau système seront entre les mains des nouvelles générations d'Algériennes et d'Algériens qui seront tout naturellement les principaux acteurs et bénéficiaires de la vie publique et du développement durable dans l'Algérie de demain.

Deuxièmement: il n'y aura pas d'élection présidentielle le 18 avril prochain. Il s'agit ainsi de satisfaire une demande pressante que vous avez été nombreux à m'adresser dans votre souci de lever tout malentendu quant à l'opportunité et à l'irréversibilité de la transmission générationnelle à laquelle je me suis engagé. Il s'agit aussi de faire prévaloir la noble finalité des dispositifs juridiques qui réside dans une saine régulation de la vie institutionnelle et dans l'harmonie des interactions socio-politiques, sur une observation rigide d'échéances pré-établies. Le report de l'élection présidentielle qui a été réclamé vient donc pour apaiser les appréhensions qui ont été manifestées afin d'ouvrir la voie à la généralisation de la sérénité, de la quiétude et de la sécurité publique, dans l'objectif d'entreprendre ensemble les actions d'importance historique qui permettront de préparer le plus rapidement possible l'avènement d'une nouvelle ère en Algérie.

Troisièmement: dans la perspective d'une mobilisation accrue des pouvoirs publics et du rehaussement de l'efficacité de l'action de l'État dans tous les domaines, j'ai décidé de procéder tout prochainement à des changements importants au sein du gouvernement. Ces changements constitueront une réponse adéquate aux attentes dont vous m'avez saisi, ainsi qu'une illustration de ma réceptivité à l'exigence de reddition de comptes et d'évaluation rigoureuse dans l'exercice des responsabilités à tous les niveaux et dans tous les secteurs.

Quatrièmement: la conférence nationale inclusive et indépendante sera une enceinte dotée de tous les pouvoirs nécessaires à la discussion, l'élaboration et l'adoption de tous types de réformes devant constituer le socle du nouveau système que porte le lancement du processus de transformation de notre État-nation, que j'estime être ma mission ultime en parachèvement de l'œuvre dont Dieu Tout-Puissant m'a accordé la capacité et pour laquelle le peuple algérien m'a donné l'opportunité.

Cette conférence sera équitablement représentative de la société algérienne comme des sensibilités qui la parcourent, organisera librement ses travaux, sous la direction d'une instance présidentielle plurielle, avec à sa tête un président qui sera une personnalité nationale indépendante, consensuelle et expérimentée. La conférence doit s'efforcer de compléter son mandat avant la fin de l'année 2019.

Le projet de Constitution qui émanera da la conférence sera soumis à un référendum populaire. La conférence nationale indépendante fixera souverainement la date de l'élection présidentielle à laquelle je ne serai en aucun cas candidat.

Cinquièmement: l'élection présidentielle qui aura lieu dans le prolongement de la conférence nationale inclusive et indépendante sera organisée sous l'autorité exclusive d'une commission électorale nationale indépendante dont le mandat, la composition et le mode de fonctionnement seront codifiés dans un texte législatif spécifique qui s'inspirera des expériences et des pratiques les mieux établies à l'échelle internationale. La création d'une commission électorale nationale indépendante est décidée pour répondre à une revendication largement soutenue par les formations politiques algériennes ainsi qu'à une recommandation constante des missions d'observation électorale des Organisations internationales et régionales invitées et reçues par l'Algérie lors des consultations électorales nationales précédentes.

Sixièmement: dans le but de contribuer de manière optimale à la tenue de l'élection présidentielle dans des conditions incontestables de liberté, de régularité et de transparence, il sera formé un gouvernement de compétences nationales bénéficiant du soutien des composantes de la conférence nationale. Ce gouvernement assumera la supervision des missions de l'administration publique et des services de sécurité et apportera sa pleine collaboration à la commission électorale nationale indépendante. Pour sa part, le Conseil constitutionnel assumera, en toute indépendance, les pouvoirs que lui confèrent la Constitution et la loi en matière d'élections présidentielles.

Septièmement: je m'engage solennellement devant Dieu le Tout-Puissant et devant le peuple algérien à ne ménager aucun effort pour que les institutions, structures, démembrements de l'État et collectivités locales se mobilisent pour concourir à la pleine réussite de ce plan de travail. Je m'engage également à veiller à ce que toutes les institutions constitutionnelles de la République poursuivent scrupuleusement l'accomplissement de leurs missions respectives et exercent leurs pouvoirs respectifs au service exclusif du peuple algérien et de la République. Je m'engage enfin, si Dieu m'accorde vie et assistance, à remettre les charges et les prérogatives de président de la République au successeur que le peuple algérien aura librement élu.

Chères concitoyennes,
Chers concitoyens,

Voici la voie du salut que je vous invite à emprunter ensemble pour prémunir l'Algérie contre des épreuves, des déchirements et des déperditions d'énergies.

Voici la voie d'un sursaut collectif pacifique pour permettre à l'Algérie de réaliser tout son potentiel dans une démocratie épanouie, digne des gloires de l'Histoire de notre Nation.

Voici la voie dans laquelle je vous demande de me suivre et de m'aider.

Gloire éternelle à nos vaillants martyrs.”


Algérie: après l'euphorie, le doute

Para os contestários, que nas últimas três semanas encheram as ruas aos milhões, Bouteflika com esta carta “está a gozar com o povo” e "a prolongar por mais um ano, de forma inconstitucional, o seu mandato, que acaba no próximo 28 de Abril”.

“É um verdadeiro golpe de Estado, a última armadilha de Bouteflika ao povo argelino, numa manobra capitaneada pelo seu irmão mais novo que já é o verdadeiro chefe de Estado”, acrescentam outros. Os argelinos continuam, entretanto, a esperar que o CEMGFA, general Gaid Salah, um berbére, decida “proteger o povo e não um clan”...

Conclusão: na próxima sexta-feira, a Argélia vai voltar às ruas. Então e aí, se verá que horizonte se desenha para a segunda parte do último desafio de Bouteflika e seu clan familiar...

sábado, 9 de março de 2019

Porque nos Ameaça o Integrismo Islamista

 

Berbére, nascido no seio da elite marroquina, ex-preso político (durante 20 anos...), historiador e romancista exilado há muitos anos em França, Raouf Oufkir é um especialista do Norte de África e das matérias do integrismo e do terrorismo islamistas. Os actuais acontecimentos da Argélia pedem uma revisitação do seu “Pourquoi l’intégrisme nous menace?” que, não sendo uma obra sobre a Argélia, fornece muita informação (Oufkir revela aqui, por exemplo, como foi, em 1991, um dos primeiríssimos ocidentais a saber quem era Bin Laden e qual era o seu projecto religioso-político-militar...) e oferece também um quadro de análise para a situação no Norte de África e para o "cancro” islamista (o termo é do próprio Oufkir) na Europa.



sexta-feira, 8 de março de 2019

Argel à beira do Apocalipse

Se Gérard de Villiers, “homem mais bem informado do mundo”, ainda fosse vivo, teríamos tido um dos seus inumeráveis romances (tenho cerca de duzentos dos que ele publicou...), publicado em Novembro passado, sobre o actual “Apocalipse em Argel”, protagonizado, claro, pelo inevitável príncipe Malko.

Depois de ter bem aviado meia-dúzia de argelinas (na cama ou em qualquer outro lado) e ter despachado uma boa dúzia de mauzões para o cemitério, Malko teria resolvido as coisas e garantido a derrota de quem as boas fontes e o nariz 
de Villiers antecipavam que seria derrotado. 


Mas como “o homem mais bem informado do mundo” (ou “The Spy Novelist Who Knows Too Much”) deixou este mundo a 31 de Outubro 2013, os acontecimentos da Argélia parecem ter apanhado toda a gente distraída e a olhar para o lado...

Em Lisboa, então, parece que ainda ninguém se apercebeu que a Argélia não é um país distante mas uma explosiva realidade mesmo à nossa porta. Não será pior se alguém (com as necessárias competências) começar a dedicar umas horas ao assunto... 



Em 24 de Agosto do ano passado, publicámos aqui um alerta para o que se preparava neste Estado do Magrebe (segunda potência militar de África, depois do Egipto, e quarta potência económica) com o título bem explícito de Argélia em risco de mergulhar no caos...




A Bandeira berbére sai da clandestinidade...



Alea Jacta Est... Trump Manda Evacuar Teerão

Trump, 17.06.2025