quarta-feira, 10 de agosto de 2022

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Alemanha, o elo mais fraco da Europa

Sem energia nuclear, dependente da Rússia na energia e da China no comércio, a Alemanha parece cada vez mais o elo mais fraco da Europa.



sexta-feira, 22 de julho de 2022

CHINA: A different kind of Partying for HSBC bankers bankers

The Financial Times reports that HSBC has established a Party committee in its China investment bank entity. 

I am not sure why anyone would be surprised by this. The Party leads everything in the Xi Era and one of his initiatives has been to reinsert the Party into almost every entity of any size in the country. 

What is more interesting is what this means for other Western banks operating in the country, as overt Party cells in banks like JP Morgan and Goldman Sachs may cause them some headaches in their home market.

Fonte: 

Bill Bishop at "Sinocism"

sábado, 16 de julho de 2022

Costa volta a recorrer a um General, face a uma situação crítica

General, algarvio, filho de militar, especialista em guerra de informação, NTIC e ciber, Paulo Viegas Nunes (56 anos), co-fundador e ex-presidente da associação CIIWA - Competitive Intelligence & Information Warfare Association e ex-director da  Academia de Informações e Comunicações da NATO, é o novo 'patrão' do SIRESP, aqui apresentado num óptimo trabalho de Valentina Marcelino, no DN, que merece registo. 


O Sr. SIRESP. Uma "vida errática" com boxe, deserto e Guerra da Informação

Valentina Marcelino | DN | 11 Julho 2022 — 00:08

Paulo Viegas Nunes
, brigadeiro general do Exército e ex-diretor da Academia de Informações e Comunicações da NATO, é a aposta do governo para gerir o SIRESP. Este engenheiro eletrotécnico é a antítese do nerd: é paraquedista, foi campeão de boxe, adora contar histórias e o cheiro das monções africanas.



Viegas Nunes diz que a vocação pelas comunicações surgiu logo quando estava no 9.º ano, nos Pupilos do Exército.© Leonardo Negrão/Global Imagens

Paulo Viegas Nunes, 56 anos, é o novo presidente da empresa Siresp S.A., que gere as redes de comunicações de emergência do país. Brigadeiro-general do Exército da arma de transmissões, é o único doutorado das Forças Armadas em Guerra da Informação.

Assume que tem uma história de vida "um pouco errática", que começou em Tavira, e passou por vários países, entre os quais Guiné-Bissau, Angola, Itália e até pelo deserto do Saara, numa missão interrompida uma semana para se casar.

A sua escolha para presidente do conselho de administração da Siresp foi a solução para pôr fim a um período de grandes pressões marcado pelo conflito aberto entre o governo e a então líder da empresa, com acusações mútuas de favorecimentos a empresas.

Francisca van Dunem, na altura com a pasta da Administração Interna, quis afastar "suspeições de conflitos de interesses" e não reconduziu Sandra Perdigão Neves, ao mesmo tempo que ordenava a substituição de um consultor da secretaria-geral do ministério, sobre cuja imparcialidade havia dúvidas.

"Era urgente escolher alguém com qualificações, independência, sentido de Estado e espírito de missão", contou ao DN fonte governamental envolvida no processo.

"O primeiro-ministro fez questão de que fosse um militar, a sra. ministra falou com o então ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, e o nome do general Viegas Nunes surgiu muito rapidamente como a escolha óbvia", acrescenta.

Acabado de assumir o cargo de diretor de Comunicações do Exército, Viegas Nunes recebeu o telefonema do Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), Nunes da Fonseca, com um misto de surpresa e orgulho.

"Não havia como dizer que não. O SIRESP é um serviço crítico essencial para o país que é preciso salvaguardar neste momento. Estou habituado a procurar soluções. Para um militar, quando se lhe atribui uma missão, é para cumprir. Fiz a minha avaliação, identifiquei o problema e propus as minhas soluções", frisa.

Alinhamento internacional

A sua primeira (e espinhosa) tarefa foi concluir o caderno de encargos para o concurso público internacional que vai selecionar os melhores fornecedores para a operação e manutenção do SIRESP.

Um ponto de honra para o governo depois de, em junho de 2021, ter sido obrigado a fazer um ajuste direto com os mesmos fornecedores de há 14 anos, porque o ex-ministro Eduardo Cabrita não tratou do processo a tempo.

"Havia problemas a ser resolvidos e essa foi a minha primeira missão. O caderno de encargos foi pensado e reformulado", afirma.

"Toda a engenharia por detrás do concurso dá boas soluções. A rede foi preparada para suportar as novas tecnologias, LTE (Long Term Evolution) e outras que permitem a transmissão da imagem e som (esta complementa a atual tecnologia de voz). O contrário seria um estrangulamento. Com este concurso a base foi alargada de forma a permitir toda a evolução tecnológica 5G, 6G, o que for. O nosso plano é que sejam feitas experiências-piloto, com ilhas de utilização para validar as condições de segurança, antes de se generalizar. Estamos completamente alinhados com o ciclo internacional, que prevê que seja esta década de 20 a ser o período para esta evolução. A maioria dos países estão neste momento a iniciar projetos-piloto nesse sentido", reitera.

Embora tenha recusado reagir às críticas da sua antecessora, Sandra Perdigão Neves - que acusou o governo de ter feito um concurso à medida para uma das empresas fornecedoras, impedindo a evolução tecnológica -, estas declarações não deixam de ser a resposta às alegações de favorecimento no concurso público internacional que a secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, garantiu, em entrevista ao DN, ser "à prova de bala".

Boa parte desta exigência de imparcialidade está no júri. "Os membros do júri, presidido pelo professor de Telecomunicações do IST, Luís Correia, foram selecionados de três origens relevantes: da entidade reguladora, a ANACOM, da engenharia, com a Ordem dos Engenheiros, e da academia, com o IST. Foram convidados por mim, um a um, e nenhum hesitou. Vão sacrificar muito do seu tempo livre deste verão pro bono. Há até quem venha dos Açores. Revelaram um enorme sentido de serviço público", afiança.

Paulo Viegas Nunes nasceu em Tavira em 1966 e, reconhece, teve "um percurso bastante errático". Aos três anos a sua família seguiu para a Guiné, onde o pai, também militar, tinha sido colocado durante a Guerra Colonial. Um ano depois um novo destino, Luanda, onde ficou até à revolução do 25 de Abril. Tinha apenas oito anos, mas ficou com "as cores, sons e o perfume das monções" nas suas memórias. "Tive uma infância muito feliz", afirma.

Em 74 regressou a Tavira, onde completou o Ensino Primário, seguindo depois para Faro. "Aos 12 anos decidi que queria vir para Lisboa, para a escola dos Pupilos do Exército. Os meus pais não gostaram muito que viesse sozinho, mas consegui convencê-los. Passei ano e meio nos Pupilos e ia a casa aos fins de semana. Para mim era muito importante aquele regresso ao Algarve, era a minha casa e sabia bem voltar. Até tive pena quando os meus pais quiseram mudar-se para Lisboa, para ficarem mais perto de mim", relembra.

O desporto e o nariz partido

Completou o 12.º ano nos Pupilos do Exército e classifica esta experiência como uma "escola de vida". E as exigências militares muito contribuíram para que não fosse o típico nerd de óculos, que usa, agarrado a computadores.

Praticante de vários desportos, corria o país com a sua equipa em exibições, tendo começado por ser Campeão Nacional de Infantis em andebol.

Ginástica desportiva e a mesa alemã, foram outras modalidades em que venceu, mas também ousou os "desportos mais radicais", revela, apontando com um sorriso para um dos emblemas da lapela. "Fiz o curso de paraquedista em Tancos", indica.

Mas há mais. Foi campeão de Boxe na Academia Militar na categoria de meio-médio-ligeiro, modalidade que lhe valeu uma distinção muito especial: um novo órgão olfativo.

"O meu nariz não ficou em muito boas condições e teve de ser, digamos, reconstruído", ri-se, não escondendo uma ponta de vaidade. "Não sou mesmo o estereótipo do nerd", confirma, lembrando uma das regras militares - "corpo são, mente sã".

A vocação pelas transmissões começou logo a surgir no 9.º ano, nos Pupilos, quando escolheu a área de Eletrotecnia. "Tive, desde muito cedo, a convicção de que seria a arma do futuro", explica. O que o atraiu foi "um misto de tecnologia e futuro, no aspeto da transformação para melhorar a vida das sociedades".

O serviço público está-lhe na pele - tal como a farda que não tira mesmo em funções civis, como a atual - e dá-lhe a tranquilidade de resistir a tentações de mudar para o privado onde, com o seu nível de qualificações, poderia ter enormes compensações financeiras. "Nunca senti esse apelo. É a minha vocação", diz.

A sua "vida errática" continuou ainda durante os anos em Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico (IST), quando foi destacado para a MINURSO, uma missão das Nações Unidas no Saara Ocidental, a meio do mestrado. "Escrevi a dissertação final dentro de um contentor no deserto, em 1997", recorda.

Foi ainda durante esta sua "travessia" no deserto Saara que se casou, conseguindo que o comandante no terreno, na altura o general Garcia Leandro, o deixasse vir a Lisboa semana e meia para a cerimónia e lua-de-mel.

Desta missão trouxe também alguns motivos de orgulho. "Fui oficial para as comunicações das forças e consegui disponibilizar um terminal-satélite para cada time site (aquartelamento) e, assim, havia um telefone para os militares poderem receber e fazer chamadas em casos especiais familiares. Teve um impacto enorme na moral dos militares. Depois instalámos internet e podiam trocar e-mails e mensagens", conta, frisando que "as comunicações militares portuguesas têm um grande histórico e reputação".

Regressado do Saara foi designado para comandar o corpo de alunos do 1.º ano da Academia. Um desses cadetes integra atualmente o grupo de trabalho que criou na Siresp, para preparar e acompanhar o concurso público e os desenvolvimentos tecnológicos. "Costumo dizer que esse ano (1997/1998) foi um ano vintage. Vários cadetes seguiram áreas tecnológicas e continuam a deixar a sua marca no Exército, como altamente qualificados que são", afiança.

Destaca como alguns dos mais satisfatórios desafios profissionais, em 2001, a criação da primeira pós-graduação em Competitive Intelligence and Information WarFare, na Academia Militar, onde ainda é professor. "Este curso mudou o paradigma na Academia Militar, que passou a ser um centro especializado nessa matéria", assinala.

Um Doctor Europeo

O doutoramento foi a sequência natural para este oficial. A guerra da informação surgiu como tema, inspirado por um artigo que leu na Revista Militar. "Hoje vivemos um novo paradigma da moderna conflitualidade, que afeta não só a área militar, mas também toda a sociedade. (...) Neste novo tipo de guerra, o objetivo declarado é o de condicionar ou limitar a ação de um adversário, atingindo elementos sensíveis da sua IIN (Intelligent Information Network - Redes de Informação Inteligente). Dentro deste enquadramento, a Guerra de Informação, abrange tudo o que se possa fazer para preservar os nossos recursos e sistemas de informação da exploração, corrupção ou destruição enquanto simultaneamente se explora, corrompe ou destrói os recursos e sistemas de informação dos adversários, conseguindo desta forma obter a necessária "vantagem de informação", escreveu em 2006 na Computer World.

A sua tese (Análise da conflitualidade da informação na sociedade em rede: um enquadramento para a conceção e implementação de um modelo de Estratégia da Informação Nacional) foi terminada quando estava numa missão em Bruxelas (como adjunto na missão militar da NATO na União Europeia) e defendida na Universidade Complutense de Madrid, alcançando a classificação máxima de Sobressaliente cum laude (Excelente, com distinção).

Com a particularidade de se tratar de um grau de Doctor Europeo - tese escrita em português e defendida em castelhano foi uma das condições - válido em todo o espaço europeu.

Cumpriu várias missões ao serviço da ONU, NATO e UE, o que lhe deu mundo. Em 2017 foi nomeado comandante na NATO Communications and Information Systems School, em Latina (Itália), escola essa que acabou por "desinstalar integralmente e transferir na totalidade" para Oeiras, com a designação de Nato Comunnications and Information Academy, onde esteve até 2020. "

Foi um processo muito interessante. Toda a estrutura, equipamentos, laboratórios, teve de ser desmontada e reconstruída a mais de 2500 quilómetros. Foi uma operação logística gigantesca em apenas cinco meses, entre maio e setembro. Não houve férias em agosto para ninguém. Depois, foi preciso deslocalizar todo o "cérebro" da escola, todos os formadores, tudo sem nunca interromper as aulas. Iniciámos vários projetos-piloto de ensino à distância, que depois vieram a ser muito úteis na pandemia". Esta Academia certifica todos os operadores das missões da NATO.

Depois do Curso de Promoção a Oficial General, assumiu funções de adjunto do diretor de ensino da Academia Militar e foi nomeado coordenador do Grupo de Implementação da Cyber Academia and Innovation Hub, em março de 2021.

Quando foi desafiado para a Siresp, S.A., tinha acabado de ser escolhido para liderar a Direção de Comunicações e Sistemas de Informação do Exército.

Um major-general que conhece Viegas Nunes pelo menos há 30 anos, destaca que é "uma pessoa muito consistente, vertical, institucional e só faz o que estiver correto do seu ponto de vista.

Sublinha a sua "carreira nacional e internacional muito interessante", recordando que "foi muito graças ao seu trabalho que se conseguiu trazer a Academia de Comunicações da NATO para Oeiras".

Não hesita em afirmar que "as competências técnicas que tem para o atual cargo são elevadíssimas". Este oficial general não estranha que Viegas Nunes tenha aceitado ser presidente da Siresp, S.A., porque "sendo militar, o espírito de missão está no seu ADN", mas crê que "deve ter imposto as suas condições e uma delas, foi, certamente, levar a sua equipa".

Duarte da Costa, brigadeiro general que preside à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), considera-o "um homem muito capaz, um homem de missão".

Este responsável, que foi acompanhando ainda no Exército o percurso de Viegas Nunes, assevera que, "da sua geração de militares, é alguém com características muito vincadas para altos cargos e por isso a sua escolha era óbvia. Trata-se de um cargo difícil, no qual é preciso lidar como muitas dificuldades, mas ele tem engenho e arte para as enfrentar".

Planear o provável, preparar para o pior

Desde que assumiu as funções, há pouco mais de três meses, Viegas Nunes lançou a "Academia SIRESP", com o objetivo de proporcionar formação aos utilizadores deste serviço.

"Foi um dos problemas que identificámos e organizámos um plano de formação, composto por quatro módulos que se adaptam às necessidades de cada um: um módulo básico, outro para o utilizador da rede, outro para o gestor e área que coordena meios e um 4.º para a coordenação interagências".

A 2 e 3 de junho organizou o SIRESP Tech Days, juntando utilizadores e várias empresas tecnológicas fornecedoras destes serviços. "A ideia foi promover o diálogo para identificar necessidades e debater as melhores soluções", explica.

Foram preparados vários cenários e os participantes trabalharam em conjunto para os enfrentar: um terramoto seguido de tsunami, um furacão a atravessar vários distritos do país, um acidente em túnel ferroviário e um blackout total, com ausência de comunicações a nível nacional.

Pelo que já conhece do SIRESP, Viegas Nunes considera-o um sistema com "resiliência suficiente para evitar que qualquer situação mais complicada comprometa a emergência e a segurança do país".

Acompanhou os trágicos fogos de 2017 a partir de Itália, quando comandava a Escola da NATO, em Latina.

"Frequentemente existiam também numerosos incêndios na zona onde estava, na estrada de Pontina, que liga Latina a Roma. Ao ter tido conhecimento da tragédia de Pedrógão senti que, coletivamente, teríamos todos de evitar que as lacunas, fragilidades e constrangimentos verificados se voltassem a repetir. No caso do SIRESP, as lições aprendidas converteram-se em ação, tendo sido reforçada a redundância de comunicações , com quatro novas estações-móveis e instalando-se um terminal-satélite em todas as estações-base, reforçando-se também, neste processo de aumento de resiliência da rede, a energia socorrida com 18 grupos de geradores prontos a ser utilizados em caso de necessidade".

É do quartel-general da Siresp, na sala de operações, onde é monitorizada em tempo real o estado da rede e antenas durante as operações (era quinta-feira e a onda de calor já começava a provocar vários incêndios no país), que nos diz que "a Siresp está em reestruturação profunda, visando a internalização de funções, para que o Estado assuma todo o poder", e, para isso, salienta "tem de haver um reforço de competências".

De resto, é consultar a "cartilha" do planeamento militar: "Planeamos para a situação mais provável e para a mais perigosa, minimizando os riscos".

valentina.marcelino@dn.pt

sábado, 9 de julho de 2022

segunda-feira, 4 de julho de 2022

A Morte Misteriosa do 'Czar' da Economia de Cuba

Casado com uma filha de Raul Castro, o general López-Calleja (62 anos) dirigia com mão de ferro a GAESA, uma espécie de holding que controla uns 80% da economia cubana, ou seja, quase todos os negócios e negociatas legais e ilegais. Das causas da sua morte, nada é, por enquanto conhecido: o comunicado oficial diz que morreu devido a "uma paragem cardio-respiratória"... como toda a gente, claro.


A organização de jornalistas Organised Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP) considerava, desde 2016, López-Calleja "um dos homens mais corruptos do mundo" e o Tesouro americano havia-o colocado na sua lista negra em 2020...

Os nossos amigos da "Conflits" analisam os significados possíveis desta morte súbita do homem que era visto como o único a poder fazer sombra ao actual "presidente" cubano Miguel Diaz-Canel.

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Voltar ao Mar É Preciso!


A entrevista do ministro António Costa e Silva ao 'Diário de Notícias', do passado dia 8, é (talvez) o mais importante documento, das últimas décadas, sobre a geoeconomia portuguesa. 

Uma leitura imprescindível para quem tente perceber o que pode ser a posição de Portugal e as funções que pode ter no modelo global emergente. 

Além de que, para variar, observar um político que pensa é sempre uma oportunidade a não perder. Por isso, registo.

terça-feira, 7 de junho de 2022

Tecnologia Militar da China: O "Estado da Arte"

WATCH: China's New J-16 Electronic Warfare Fighter Shocked The World 

https://www.youtube.com/watch?v=M-r_YkWZ5x4



Vladislav Surkov volta a explicar o "Modelo Putin"


«Notre nouvel État aura une glorieuse histoire»

“Le modèle contemporain de l'État russe commence par la confiance et tient par la confiance. C'est ce qui le différencie du modèle occidental, qui cultive la méfiance et la critique. C'est de là qu'il tire sa force. Notre nouvel État, en ce nouveau siècle, aura une longue et glorieuse histoire. Il ne sera pas brisé. Il agira à sa manière, obtiendra et conservera les meilleures places dans la ligue des champions de la lutte géopolitique. Tôt ou tard, tous ceux qui demandent à la Russie de "changer de comportement" devront se résigner à l'accepter telle qu'elle est. Après tout, qu'ils aient le choix n'est qu'une illusion.”

Tradução do original em russo do texto de Surkov "La Longue Gouvernance de Poutine", pelo “Le Point” e pela fundação Fondapol

https://www.lepoint.fr/monde/vladislav-sourkov-notre-nouvel-etat-aura-une-glorieuse-histoire-10-03-2022-2467612_24.php

quarta-feira, 1 de junho de 2022

John Robb: A Guerra Pelo Futuro

A mais recente comunicação do nosso amigo John Robb sobre a "guerra civil" em curso no Ocidente e travada online: Cultura, tecnologia e definição do nosso futuro, temas que Robb tem trabalhado, nos últimos 20 anos, e de que, nesta comunicação, apresenta o "estado da arte". 
Thanks, John.

The War for the Future

There's a war for the future underway. It's being fought online. Here's some insight into how it is being fought, and what is at stake.

John Robb | May 31

World War 3 is a guerrilla information war with no division between military and civilian participation.

Marshall McLuhan, 1968



The western world is now engaged in a guerrilla information war, and it’s a guerrilla war where everyone is a participant, whether they know it or not. 

We can see evidence of this war all around us.

· We saw it in the sudden, unexpected, and potentially catastrophic mobilization for a global war with Russia after it invaded Ukraine.

· We see it in the efforts to control online speech, the war on misinformation, and the disconnection of politicians.

· We see it in the increasing distrust of institutions and experts.

This is an online war to decide who controls the western technosphere — an environment of interconnected technological artifacts that most of the world is now living within.

What does control of the network technosphere provide the winner? It provides the winner with the ability to:

· to set and strictly enforce standards of speech and behavior of billions, both online and offline (increasingly).

· to direct or redirect public debate and political discourse (either to solve problems or control outcomes).

· implement sweeping social change on a global scale using online incentives, control over information flows, and draconian punishments (the ability to disconnect dissenters).

Let’s explore this a bit.

The Network Technosphere

We don’t live in a physical environment anymore.

· We now live inside a networked technosphere. A world operated and controlled by interconnected technologies. While the environment provides us with new capabilities, it has complexified the challenges (from terrorism to financial collapse to COVID) we face, making them difficult to solve using traditional methods.

· The technosphere envelops and immerses us from the moment we wake up until we go to sleep. In most cases, our ability to utilize it effectively determines our success or failure, both economically and socially. In short, we’ve become so dependent on it.

· Our immersion has altered us. It’s rewiring our brains in ways we don’t fully comprehend, from processing information to relating to others, and that rewiring is driving changes in the way we organize our society.

Swarm vs. Horde

The antagonists in this war consist of people who have responded to this rewiring differently. One network seeks cohesion, consensus, and collective action, and the other wants to leverage the network to maximize individual and local autonomy. 

Here’s some detail:

· The cohesive network swarm seeks to impose a strict secular orthodoxy over the west. It engages in moral warfare to coercively align people, corporations, and governments with influence over the technosphere into alignment.

· The disorganized network horde seeks to prevent the swarm from imposing its orthodoxy through disruptive dissent. It uses the leverage provided by the network to mount disruptive attacks that actively erode support for the swarm’s alignment.

· This war will rage on until one side wins or we develop a method of networked decision-making that incorporates the strengths of each approach into an integrated whole.

Let’s dig into the details of each.

Coercive Alignment (The Swarm)

The network swarm wants to tame the technosphere by using it to aggressively eliminate everything they see as a threat (racism, sexism, colonialism, fascism, etc.). When it sees a threat, it rapidly mobilizes (using empathy triggers) to amplify the danger posed by the threat and gain (or coerce) support for network controls to prevent it from reoccurring in the future.

Online, the swarm fights through moral warfare. It does this by using the network to amplify the menace of new threats — which creates widespread fear and anxiety — to force people to act cohesively and forcibly (usually by imposing limits and restrictions) to oppose it¹. The more threatening the danger, the larger and faster the response. The moral axis of the swarm has three parts:

· Equalization. “We can only be free when we are equal in every way.” The elimination of all power differentials between individuals, from wealth to weapons ownership to social status. Example: “Gun owners put us all at risk.” Equity: equality of outcome. Restorative justice: compensation for groups that have suffered historical inequality through forced restitution (by those in privileged groups) and enhanced opportunities.

· Transhumanism. The need to transcend the human condition’s limitations, tyranny, and weaknesses. Transsexualism (LGBTQ….) is merely the tip of the iceberg. Transhumanism also radically transforms human relationships (friendship, family, sex, etc.). Transhumanism isn’t just an option; it’s a moral imperative. NOTE: Transhumanism will accelerate with the advent of augmented reality (AR).² AR allows people to change how they are perceived.

· Safeness. “An injury to one person is an injury to all of us.” No damage or injury is morally permissible if due to human action or inaction and must be prevented, regardless of the costs or limitations on freedoms involved. Injuries range from death to a loss of self-esteem/image. Injuries caused due to power differentials (privilege) or opposition to transhumanism are seen as existential threats and/or unmitigated evil.

Disruptive Dissent (The Horde)

The horde’s goal is to slow, alter, or prevent the establishment of a restrictive online orthodoxy. It spontaneously forms in response to encroachment. Disruptive dissent is usually only cohesive when it mobilizes to protect a superempowered individual who has the ability to hold the Swarm at bay (Trump, Musk, etc.).

Online, the horde fights in the psychological realm through maneuver and fast transients (quickly changing topics)³. It does this to disrupt, disorient, and overload the swarm’s thinking ability. Unlike the swarm, the horde is motivated by underlying factors that energize human behavior. These include:

· Autonomy. Freedom of mind and body. To be allowed to think, speak and act differently, particularly in opposition to the prevailing wisdom—the ability to take significant or dangerous risks and occasionally be wrong. Autonomy is only restricted when those actions would cause tangible and considerable harm to others (a high bar).

· Localism. A desire for control over the local environment (the physical offline reality). The ability of individuals, families, and communities to think, behave, and operate differently than what the present consensus mandates — which often manifests as a focus on family (formation), religion (local moral standards), and community (the rules). Opting out of global standards is prized both individually and collectively.

· Dissimilarity. Reverence for differences in human beings due to innate characteristics (intelligence, strength, gender, upbringing, etc.), those achieved through status-seeking behaviors (wealth, bodybuilding, knowledge, experience, etc.), and choices (owning guns, religious beliefs, etc.). In short, they believe that seeking differences is a good thing.

We’ll get into how this war will play out in a future report.

Sincerely,

John Robb



sábado, 21 de maio de 2022

Japão: Nova Lei de Proteção da Economia

Na complexa, delicada e muito perigosa conjuntura estratégica que o mundo atravessa, o Parlamento japonês toma medidas para a proteção e segurança da economia do arquipélago.

Sheila A. Smith

Last week, the Japanese Diet passed a law to protect the economy from hostile actors.

This, along with a revision of national strategy and a long-term defense plan, will enhance Japan’s ability to navigate growing geopolitical tensions in the Indo-Pacific. 


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quinta-feira, 19 de maio de 2022

Requisitório Contra a Diluição do Estado-Nação

Antigo piloto de caça e autor do único tratado de estratégia aérea em línguas latinas, o Coronel (R) Régis Chamagne é também conferencista (nas áreas de defesa, instituições europeias e geopolítica) e porta-voz da "Associação para uma França Livre". É nesta última condição que assina este requisitório contra a diluição do Estado-Nação.

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sábado, 14 de maio de 2022

A Guerra da Ucrânia e o Fim da Rússia

Peter Zeiham, uma velha cumplicidade aqui no IntelNomics, escrevia, em 29 de Dezembro do ano passado, um profético “A Ukraine War and the End of Russia”, que rematava assim:

“A Russian-Ukrainian war would keep the bulk of the Russian army bottled up in an occupation that would be equal parts desperate and narcissistic and protracted until such time that Russia’s terminal demography transforms that army into a powerless husk. And all that would transpire on a patch of territory in which the United States has minimal strategic interests.

“That’s rough for the Ukrainians, but from the American point of view, it is difficult to imagine a better, more thorough, and above all safer way for Russia to commit suicide.”

Antes de partir para as comemorações de um Ano Novo que, já o prevíamos, de feliz ia ter muito pouco ou mesmo nada, a redacção do IntelNomics leu e discutiu este trabalho do Peter Zeihan. E Putin não o leu...? 



sexta-feira, 13 de maio de 2022

O Que É o Putinismo...? Resposta na ‘Conflits’

“O Putinismo não é uma ideologia (conservadora, nacionalista, eurasista), nem um projeto político (vingança da história, neo-imperialismo, neo-sovietismo). O Putinismo apresenta-se antes de tudo como uma estratégia política que visa mostrar sua força, e às vezes usá-la, para fortalecer um poder kremlinocêntrico e kremlinocentrípeto com um objetivo principal, que nunca varia: defender o Estado russo contra as forças hostis que o ameaçam, de dentro e de fora. O Putinismo é filho da perestroika e do colapso da URSS e bisneto da Revolução Russa e do colapso do Império Russo.”


Qu’est-ce que le poutinisme?

 

par Jean-Robert Raviot | Conflits | 10 Mai 2022

 

Dès le lendemain du déclenchement de l’offensive russe contre l’Ukraine le 24 février 2022, la question est posée du soutien de la société russe, et plus particulièrement des élites – y compris au sommet – à une guerre d’une ampleur sans précédent sur le sol européen depuis la Seconde Guerre mondiale, qui plus est, susceptible d’être perçue en Russie comme fratricide. D’emblée, cette offensive se présente comme une épreuve pour le poutinisme. Des études sociologiques indiquent que son rôle de chef de guerre aurait permis à Vladimir Poutine d’étendre, et même de renforcer le socle de sa légitimité politique[1]. Néanmoins, le prolongement des opérations, voire son évolution en guérilla, pourrait changer le regard des Russes, et des élites russes, sur la stratégie choisie par le président russe.


Officiellement, la Russie mène une opération de libération de l’Ukraine, placée sous le joug de dirigeants qualifiés de « clique d’usurpateurs ». Cette opération est ponctuée de mesures présentées comme ponctuelles d’élimination ciblée des forces nationalistes ukrainiennes les plus radicales, qualifiées de « nazies ». Jusqu’ici, la propagande officielle russe qui accompagne les opérations semble porter ses fruits, en ce sens que la dimension offensive de cette guerre reste masquée aux yeux des Russes. L’usage de la force puise aux sources du poutinisme. Il n’est donc pas illogique qu’il agisse, dans un premier temps, comme un bain de jouvence. Car le poutinisme n’est ni une idéologie (conservatrice, nationaliste, eurasiste), ni un projet politique (revanche sur l’histoire, néo-impérialisme, néosoviétisme). Le poutinisme se présente d’abord comme une stratégie politique visant à montrer sa force, et parfois à en faire usage, afin de renforcer un pouvoir kremlinocentrique[2] et kremlinocentripète avec un objectif principal, qui ne varie jamais : défendre l’État russe contre les forces hostiles qui le menacent, de l’intérieur comme de l’extérieur. Le poutinisme est à la fois l’enfant de la perestroïka et de la chute de l’URSS et l’arrière-petit-enfant de la révolution russe et de la chute de l’Empire russe.

 

Le césarisme poutinien

L’image a fait le tour du monde. La scène se passe à Moscou, le 21 août 1991. Boris Eltsine, élu deux mois plus tôt président de la Russie au suffrage universel, radieux, est juché sur un char, avec en arrière-plan le drapeau tricolore russe. Il annonce triomphalement l’échec du putsch contre Gorbatchev. En imposant son autorité aux ministères régaliens de l’URSS, le premier président russe précipite l’éviction de Gorbatchev et la chute de l’URSS, qui intervient quatre mois plus tard. Deux ans après, en octobre 1993, Eltsine dissout le Parlement. Il ordonne aux forces de sécurité intérieure de prendre l’assaut du bâtiment, au sein duquel certains opposants armés se sont retranchés. L’offensive fait 150 morts. Eltsine déclare l’état d’urgence, suspend les institutions et convoque un référendum pour faire adopter, quelques semaines plus tard, la première Constitution libérale et démocrate de l’histoire de la Russie. Libéralisme et démocratie, dans la nouvelle Russie, sont donc marqués du sceau indélébile du césarisme.

 

À lire également: Pourquoi Vladimir Poutine voit des «nazis» en Ukraine

 

Héritier désigné par Boris Eltsine avant d’être consacré par le suffrage universel, Vladimir Poutine se saisit du flambeau césariste des origines. L’assaut se porte alors contre les foyers terroristes du Nord-Caucase. Cette deuxième guerre intérieure en Tchétchénie (après celle de 1994-1996) fonde le poutinisme. Elle pose l’image médiatique du nouveau président, alors totalement inconnu des Russes, en chef de guerre auquel on attribue l’intention de rétablir l’ordre, l’autorité de l’État, la puissance de la Russie. Appuyé, contrairement à son prédécesseur, par une forte majorité parlementaire, Vladimir Poutine consolide son autorité. Si la Constitution russe demeure d’essence libérale, la pratique du pouvoir prend une tournure autoritaire de plus en plus affirmée. Le césarisme de Vladimir Poutine associe une forme démocratique de légitimité à une réalité monarchique du pouvoir. Le jeu démocratique est limité par l’ultra-majorité détenue par le parti du pouvoir, Russie unie, au Parlement et dans presque toutes les régions depuis 2004. Les forces d’opposition doivent accepter de ne limiter leurs critiques qu’à la politique économique et sociale, faute de quoi elles se voient écarter du jeu électoral et de l’espace public. Aujourd’hui, l’opposition hors système n’a plus de visibilité en Russie.

 

L’élite du pouvoir et l’oligarchie d’État

Le poutinisme ne se limite pas à un mode autoritaire d’exercice du pouvoir, à un discours politique conservateur ou à l’expression d’une volonté de restaurer la puissance de la Russie sur la scène internationale. C’est aussi un système de pouvoir qui s’appuie sur une élite du pouvoir loyale, un noyau dur restreint autour d’une garde prétorienne[3] constituée d’hommes qui, pour nombre d’entre eux, sont issus de la mairie de Saint-Pétersbourg où Vladimir Poutine a accompli le début de sa carrière politique dans les années 1990-1996. On retrouve ce noyau dur aujourd’hui au sommet de l’État russe, aux postes-clefs régaliens (sécurité, intérieur, défense, justice et parquet général) comme aux postes clés de la korpokratura, ces nouveaux grands patrons issus de l’appareil d’État, placés par le président à la tête des grands groupes et des conglomérats d’État (ou contrôlés par l’État) afin de mieux piloter les secteurs stratégiques de l’économie (énergie, technologies de pointe, armement, infrastructures et chaînes logistiques…). La naissance de cette nouvelle oligarchie d’État, vers la fin de la décennie 2000, témoigne de ce que Vladimir Poutine a réussi à inverser le rapport de force entre l’État russe et les oligarques qui s’était instauré, dans les années 1990, dans le contexte de la faiblesse et du fort endettement extérieur de la Russie, très en faveur de ces derniers.

 

Le retour de la puissance russe

Dans les années 2000, le «rétablissement de la verticale du pouvoir» par Poutine, en interne, coïncide avec une flambée du prix des hydrocarbures sur le marché mondial, qui permet à la Russie d’opérer un réel décollage économique et d’envisager, au-delà de son désendettement, une stratégie de modernisation et de développement économique. Le mieux-être économique permet une amélioration très nette du niveau de vie moyen de la population, auprès de laquelle l’ascension politique de Poutine coïncide avec pouvoir d’achat et accession à la consommation. Pour de nombreux Russes, le poutinisme est synonyme d’un quotidien qui s’améliore et d’un style de vie qui se rapproche des standards occidentaux. Collectivement, ce boom économique offre à la Russie et aux Russes une revanche sur les humiliations subies au cours des années 1990, avec la chute de l’URSS, suivie de la paupérisation massive liée aux réformes économiques et à la privatisation.

 

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Le discours prononcé par Vladimir Poutine en février 2007 à Munich marque un tournant de la politique extérieure russe. Le président russe affirme une volonté de puissance et emploie un vocabulaire offensif inédit, qui ne fera que se renforcer par la suite. Il s’agit de s’opposer au monde unipolaire (dominé par Washington) de l’après-guerre froide et de faire de la Russie un des pôles majeurs du monde multipolaire en gestation. Moscou avait déjà contesté la prétention américaine à consolider sa domination unipolaire, en 1999 – opposition aux frappes de l’OTAN contre la Serbie – et en 2003 – veto contre la guerre américano-britannique en Irak. Après Munich, la Russie monte le ton. Lors du sommet de l’OTAN à Bucarest (2008), Moscou s’insurge contre une éventuelle adhésion de la Géorgie et/ou de l’Ukraine à l’OTAN, perçues comme autant de menaces pour la sécurité nationale. Joignant le geste à la parole, la Russie intervient militairement en Géorgie pour soutenir la république sécessionniste d’Ossétie du Sud contre Tbilissi. En 2014, l’éviction du président ukrainien Ianoukovitch est analysée, à Moscou, comme un coup d’État issu non pas d’une révolte populaire, mais d’un travail en profondeur d’ONG instrumentalisées de longue date par les États occidentaux afin de faire basculer l’Ukraine dans leur camp. Après ce changement de pouvoir, jugé illégitime, à Kiev, Moscou annexe la Crimée, après un référendum sans équivoque en faveur du rattachement de la péninsule à la Fédération de Russie, puis soutient, pendant huit ans, la rébellion armée des républiques sécessionnistes de Donetsk et de Lougansk, dans l’est de l’Ukraine, prélude à l’enclenchement de la grande offensive lancée en février contre l’Ukraine.

 

Le consensus poutinien a-t-il un avenir?

Le consensus de la société russe autour du poutinisme s’est construit sur un rapport d’allégeance, plutôt que d’adhésion au pouvoir. Si l’entrée en guerre contre l’Ukraine semble, au début de celle-ci, susciter la consolidation de ce consensus, de nombreux éléments conduisent à s’interroger sur la pérennité à plus long terme de ce consensus poutinien. Rappelons que la phase ascensionnelle du poutinisme a correspondu à une période de fort développement économique : entre 2000 et 2020, le PIB de la Russie a triplé et le PIB/habitant, qui représentait en 2000 à peine un tiers de celui de la France, s’élève aujourd’hui à plus de la moitié de celui de la France[4]. Ce mieux-être économique s’est accompagné d’une forte hausse du prestige international de la Russie, en particulier aux yeux des Russes eux-mêmes. Or, les indicateurs socio-économiques sont aujourd’hui bien plus mauvais. S’il est encore tôt pour mesurer l’impact des sanctions occidentales sur la population russe, il semble indiscutable qu’il provoquera a minima une stagnation du niveau de vie et une baisse de la consommation. Cette crise prévisible sera perçue comme une dégradation supplémentaire dans le contexte d’une baisse du niveau de vie constante, pour la majorité des Russes, depuis le milieu des années 2010. En outre, comment une mise au ban durable de la Russie sera-t-elle perçue? Le « tournant vers l’Est », c’est-à-dire vers la Chine, de la politique étrangère russe, une évolution qui devrait s’accélérer du fait de la guerre en Ukraine, réussira-t-elle à produire des dividendes économiques palpables pour la population ? Pourra-t-on, dans une société de consommation telle que la société russe, se passer des marques occidentales et se contenter des marques chinoises ? Quid d’une Russie, même prospère, totalement réorientée vers l’Asie ? Quelles sont les limites d’un autoritarisme politique qui, à la faveur de cette « opération spéciale », s’est renforcé au point de bannir toute voix dissidente de l’espace public ? Quid d’un groupe élitaire consolidé autour du chef du Kremlin, mais vieillissant, et qui doit désormais impérativement organiser sa successio?

 

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[1] Voir l’étude du Centre Levada, 30 mars 2022:  

https://www.levada.ru/2022/03/30/odobrenie-institutov-rejtingi-partij-i-politikov/

[2] Jean-Robert Raviot, Qui dirige la Russie?, Lignes de Repères, 2007.

[3] Jean-Robert Raviot, «Le prétorianisme russe: l’exercice du pouvoir selon Vladimir Poutine», Hérodote, no 166/167, 2017.

[4] Chiffres de la Banque mondiale, en PPP. Voir https://data.worldbank.org

Mots-clefs: PoutinePoutinismeRussie

À propos de l’auteur: Jean-Robert Raviot

Docteur en sciences politiques. Professeur de civilisation russe contemporaine à l'université Paris-Nanterre.

 

https://www.revueconflits.com/quest-ce-que-le-poutinisme/

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Espírito de Combate: Como o Desenvolver e Praticar...

Dois homens da École de Guerre Économique, dirigida pelo nosso velho amigo Christian Harbulot, juntam os seus saberes para criar um livro singular, um autêntico manual de desenvolvimento do espírito de combate, para civis e militares: “Agir ou subir?: L'esprit commando pour muscler votre projet professionnel ou personnel”.


Apresentação da Obra: “Dans un monde en changement permanent, développer un esprit commando est devenu une question de survie. Mais comment éviter les pièges et saisir les opportunités dans un contexte d’hypercompétition? En adoptant les neuf valeurs et attitudes qui façonnent les commandos: le courage, l’unité, l’humilité, l’adaptabilité, l’excellence, l’humour, l’abnégation, la joie et la détermination.

Ces vertus rendent chacun plus fort pour mener à bien ses projets personnels ou professionnels.

Illustré par de nombreux exemples tant civils que militaires, ce guide de stratégie et de développement personnel invite le lecteur à s’interroger sur lui-même, à modifier sa façon de voir et à suivre la voie commando pour remporter les combats qui lui tiennent à cœur.”

Apresentação dos Autores: “Raphaël Chauvancy est officier supérieur des Troupes de marine. Il est détaché depuis 2018 au sein des UK Commando Forces. Également chargé de cours à l’École de guerre économique, il a consacré plusieurs livres aux problématiques de pédagogie, de commandement et d’intelligence stratégique.

Praticien-chercheur en Intelligence Économique, Nicolas Moinet est Professeur des universités à l’IAE de Poitiers. Également chargé de cours à l’École de guerre économique et officier de réserve, il est fortement impliqué dans la diffusion de l’esprit de défense.”

Uma obra indispensável nas bibliotecas de todos os que não se resignam a sofrer os acontecimentos e suas consequências e preferem... agir.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

O "Caso dos Russos de Setúbal" É a Ponta de um Iceberg

O caso de Setúbal não é de Setúbal, é nacional. O caso de Setúbal não é um “caso”, é a ponta de um iceberg. O caso de Setúbal exige, portanto, um adequado tratamento nacional e não o uso de um qualquer “tira-nódoas” local. 

O caso de Setúbal revela uma realidade que ninguém parecia (ou parece...) querer ver: a infiltração de organismos do Estado Português por agentes de influências estrangeiras. Muito frequentemente, nada amigas e, por definição, em divergência com os interesses e orientações do Estado Português.

Em Setúbal, o SIS terá detectado a “marosca” há uns oito anos, em 2014. E tem-na monitorizado até hoje. E, naturalmente, tê-la-á reportado a quem tinha que a reportar. O trabalho do SIS é esse. O SIS é um serviço de inteligência e não uma polícia.

Mas quantas câmaras mais, quantos mais organismos do Estado Português se encontram sob influência de interesses e agentes de estados estrangeiros? De russos a chineses, de iranianos a cubanos, quem é que manipula o quê e quem nos aparelhos do Estado Português?

Esse é que é problema nacional que Setúbal revela, é esse o iceberg que a “pontinha” de Setúbal revelou. Ora, o Estado Português não é suposto ter uma vocação de... Titanic. Portanto...

Kissinger sobre a Ucrânia: “Dar a Putin uma saída digna e segura e não tocar nas fronteiras da Rússia”

Henry Kissinger aconselha a dar aos russos "a dignified and safe way out" e considera não existir risco de uso de armas nucleares por Putin “as long as the US or NATO doesn’t breach Russian borders.” Distanciando-se de retóricas inflamadas, o velho mago da política externa americana falou sobre a guerra na Ucrânia, ao intervir num encontro organizado pela Mauldin Economics.

Segundo a organização do encontro, "Kissinger’s measured, diplomatic responses on how to end the Russia-Ukraine conflict presented a stark contrast to today’s divisive rhetoric. He emphasized the importance of giving Putin a dignified and safe way out of the war: “We need to give the Russians an opportunity to protect themselves [from NATO]—we shouldn’t turn this conflict into a purely technical, economic problem.” He believes that we may be close to a ceasefire and thinks it’s unlikely that nuclear weapons will be used, “as long as the US or NATO doesn’t breach Russian borders.”

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Preparem-se para os impactos da guerra da Ucrânia

Choque triplo - reconhece o Washington Post - aumento dos preços dos combustíveis, aumento dos custos dos alimentos e turbulência financeira... Fuel, food, finance: Brace for impact from Russia’s Ukraine war

Os diversos Estados viverão, porém, este triplo choque de formas e modos muito assimétricos. 

Para os Estados frágeis o triplo choque será (está já a ser...) devastador... Desta questão o Washington Post pouco adianta. 

"The war’s disruptions stack on top of effects from the covid pandemic: disrupted supply chains, surging food and energy costs. That means empty shelves and inflation and, as governments strain to help their populations meet both needs, potential political upheaval.

"That, in turn, will ultimately threaten “America’s own security and economic well-being”...

As soluções de sobrevivência a encontar pelos Estados (sobretudo, para os mais frágeis que são a imensa maioria) vão passar muito (ou mesmo totalmente) pela geopolítica e muito pouco (ou mesmo nada) pelos "mercados"... 

Como diz o Peter Zeihan, este "fim do mundo é apenas o princípio". Portanto...




terça-feira, 19 de abril de 2022

Recomposição do Sistema de Forças Políticas: Que Revelam as 'Presidenciais' Francesas

Para começar revelam uma mudança radical que a guerra na Ucrânia veio acentuar e acelerar:

"La séquence politique 2017-2022 a transformé radicalement le paysage politique français. Le système des forces politiques qui s’organisait autour du clivage gauche-droite tend désormais à se restructurer autour de trois pôles. Mais la guerre en Ukraine  accélère la recompositionces et au plan idéologique on voit émerger sous ces trois pôles une nouvelle bipolarisation..."

Sobre esta "recomposição" total do sistema de forças e suas possíveis evoluções, ver, por exemplo, a análise do politólogo do CNRS Gérard Grunberg:

https://www.telos-eu.com/fr/la-decomposition-du-systeme-des-forces-politiques-.html

Quem está treinar os pilotos da Força Aérea Chinesa?

Who's training China's pilots? China hones its air combat skills with help from renegade Western pilots