segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Barcelona já está a arder


"Por el bien de España, hay que bombardear Barcelona una vez cada 50 años"


A frase do comandante das forças de Madrid que tomaram de assalto Barcelona, em 1842, ficou na memória dos catalães. Mas tinha apenas passado um ano e Barcelona voltou a ser bombardeada pelas forças de Madrid. “Horror”, gritou então a Catalunha. Estes bombardeamentos eram, no século XIX, feitos pela artilharia madrilena. O século XX trouxe uma inovação: o bombardeamento aéreo. Barcelona foi a primeira cidade europeia a sofrer bombardeamentos aéreos massivos. Em Janeiro de 1938, numa acção de apoio ao golpista Franco, aviões italianos e alemães arrasaram a cidade inaugurando uma prática que, pouco tempo depois, iriam tentar com outras cidades europeias (Londres é o caso mais conhecido) e que acabaria, anos mais tarde, por ter a resposta adequada nos ataques aéreos à Alemanha, ordenados pelo General “Bomber Harris”, que arrasaram várias cidades industriais alemãs. O ciclo que terminou com o arraso de Berlim tinha sido iniciado, por fascistas e nazis, na cidade mártir de Barcelona. Ocupada, mais tarde, pelas tropas de Franco, Barcelona foi tratada como território conquistado e ocupado. Até à queda do ditador, em 1975, apenas por falar catalão qualquer um podia ser preso. E todas as lápides dos cemitérios, escritas em catalão, foram arrancadas e destruídas... De 1975 a 2019 vão quase os tais 50 anos.

domingo, 20 de outubro de 2019

Salvini envia “um pensamento ao povo catalão”

Salvini destacou os acontecimentos da Catalunha no seu discurso, de ontem, durante a gigantesca manifestação (onde se viam várias bandeiras catalãs) em Roma. “Envio um pensamento ao povo catalão” atirou o homem-forte da direita italiana.

A afirmação é prudente mas revela algo de extremamente importante: a direita soberanista europeia deu aqui mostras de entender o soberanismo catalão. E isso é uma novidade que vem romper a tradicional unanimidade da direita de toda a Europa no apoio ao espanholismo imperial de Madrid.

A coisa complica-se para Madrid e o ‘La Vanguardia’ não se enganou no destaque que deu ao “pensamento” de Salvini...

































Salvini faz a capa do francês "Le Point" desta semana

sábado, 19 de outubro de 2019

Guerra Hibrida na Catalunha...?

O aparecimento na Catalunha de certos meios (como o chamado "camion-botijo") parecem indicar que a situação é agora mais grave que nas anteriores crises. Ou que, pelo menos, o governo de  Madrid assim está a "ler" a situação em Barcelona e toda a Catalunha. A incapacidade do regime para tratar politicamente o problema catalão, remetendo-o para uma espécie de "caso de polícia", só podia ter consequências do tipo das que se estão a registar. Com a população, convocada pelos CDR, a encher pacificamente as ruas, com o "oportuno" aparecimento de grupos de actuação violenta e uma "invasão" de forças especiais de polícia madrilena e todo um aparato de repressão. Face a tudo isto e à contínua incapacidade do regime e do governo de Madrid para lidarem politicamente com a situação, a pergunta é: estamos a assistir ao apareciment de formas de guerra híbrida na Catalunha...? Ainda será cedo para responder à pergunta mas que começam a estar reunidas as condições para tal parece inquestionável.



quinta-feira, 17 de outubro de 2019

USA: Republicanos Não Confiam no FBI nem na CIA... Mas os Democratas Confiam!

É o mundo às avessas. Tradicionalmente, ao contrário dos Republicanos, os Democratas tinham uma má relação com a chamada "comunidade das informações" e alguns até diziam dela o que Maomé não disse do toucinho. Recorde-se,como exemplo histórico, as relações de Jimmy Carter com a CIA... Agora, está tudo virado do avesso. Os Democratas parece que adoram a CI ("at least the whistleblowing parts of it") e os Republicanos não confiam nem no FBI nem na CIA... Um site animado por pessoas reputadas próximas da CIA escrevia há horas esta pérola de ironia:

"Dead Drop is old enough to remember when Republicans were the most outspoken supporters of the Intelligence Community and the Democrats – not so much.  Now the roles are very much reversed.  For example, Senator Ron Johnson (R, WI)  was on Meet the Press recently. When asked by moderator Chuck Todd “So, do you not trust the FBI? Do you not trust the CIA?” Johnson shouted: “No, no, I don’t. Absolutely not..."  Meanwhile, House Speaker Nancy Pelosi has become a big champion of the IC. (At least the whistleblowing parts of it.) But, back in 2009 she got into a big dust up with the CIA claiming the Agency had..."


quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Grécia Reforça Componente Naval da Defesa

Com a escalada em curso no leste do Mediterrâneo, era muito previsível: Atenas adquire a França mais duas moderníssimas fragatas. O 'twitt' é da ministra francesa da Defesa e a notícia é do Defense Industry Daily.

"French Armed Forces (Defence) Minister Florence Parly tweeted on October 10 that she had signed a letter of intent with her Greek counterpart, Nikolaos Panagiotopoulos, for the acquisition of two Frégate de Défense et d'Intervention (FDI) defense and intervention frigates to equip the Hellenic Navy starting in 2023. However, Panagiotopoulos declared to the press that there was “a long way to go” before an agreement is reached regarding the final (technical) configuration of the frigates. France is procuring five FDIs of its own under the "Loi de Programmation Militaire“ 2019-2025 military funding program in a program conducted by the „Direction Générale de l'Armement“, the French armament procurement agency, in co-operation with the French Navy, Naval Group, Thales, and MBDA. The Armed Forces Ministry expects the FDI to account for one-third of French frigates by 2030, with the first two to be delivered in 2025."



terça-feira, 15 de outubro de 2019

Geopolítica ao Jantar

Falar com velhos amigos é sempre muito interessante e reconfortante. Quando temos um jantar com o melhor peixe fresco do mundo, um bom vinho e algum tempo, então, a coisa torna-se uma delícia. E se os nossos amigos forem gente versada na geopolítica e na geoeconomia temos momentos que valem por anos. Há dias, aconteceu-me um desses jantares. 

Nessa noite, a Turquia começava a alargar a sua fronteira sudeste e a entrar Síria adentro e já era claro que o motor económico (há muito parado...) da Europa está a entrar em recessão... 

Depois dos "que tens feito, ultimamente" e de recordar bons amigos ausentes, à pergunta "o que estás a achar disto", eu disse "esta Europa está feita um castelo de cartas pronto a desabar e qualquer coisita pode ser o 'click' para a queda...". 

Nem tive, porém, tempo para terminar com um "não quero dizer que tal aconteça necessariamente mas sim que pode acontecer e que, portanto, é preciso pensar o quadro estratégico de um plano B". O meu amigo tinha-me interrompido para completar "sim e a África está um cemitério e a América do Sul uma coisa entre o cemitério e o inferno". 

Aí, foi a minha vez de dizer "pois e, se o Médio Oriente é uma confusão embrulhada numa "chaos operation", a Turquia acaba de abrir a caixa de Pandora e ninguém sabe como ela pode ser fechada... Queres um café?"

JM


GAFAM contra BATX ou... Soberania Digital?


Relatório (sério, informado e minucioso) do Senado francês sobre esta explosiva matéria.



"Le cyberespace, loin de l'utopie égalitaire des débuts d'internet, est désormais un lieu d'affrontement mondial où s'exercent luttes d'influence et conflits d'intérêts. La révolution des données a fait émerger de puissants acteurs numériques: les «GAFAM» américains et «BATX» chinois atteignent un nombre d'utilisateurs et une puissance financière qui leur permettent de rivaliser avec les États.

Créée à l'initiative du groupe Les Républicains, la commission d'enquête sur la souveraineté numérique s'est donné comme mission d'en identifier les champs fondamentaux, à l'échelle individuelle ou collective, pour esquisser les moyens de la reconquérir, qu'ils relèvent de la règlementation ou de la mise en oeuvre de politiques publiques. Comment, en effet, face à ces redoutables concurrents, conserver une capacité autonome d'appréciation, de décision et d'action pour l'État dans le cyberespace? Comment garantir une «autonomie informationnelle» suffisante à nos concitoyens toujours plus dépendants d'intermédiaires techniques au fonctionnement opaque?

Conduits sous la présidence de M. Franck Montaugé (Socialiste et Républicain - Gers) et sur le rapport de M. Gérard Longuet (Les Républicains - Meuse), les travaux la commission d'enquête ont permis d'entendre sous serment 63 personnes de tous horizons (membres du Gouvernement, entrepreneurs, scientifiques, juristes, hauts fonctionnaires, régulateurs indépendants) au cours de plus de 70 heures d'auditions.

Sans résignation ni naïveté, la commission appelle à répondre à une quadruple remise en cause: celle de notre défense, celle de notre ordre juridique, celle de notre ordre économique, et celle de notre système fiscal et monétaire. Pour remédier à l'absence de stratégie globale et lisible, elle propose un principe et une méthode (le forum institutionnel du numérique), un rendez-vous régulier (la loi d'orientation et de suivi de la souveraineté numérique) et une série de mesures précises et urgentes, notamment dans les domaines de la protection des données personnelles et des données économiques stratégiques, de la concurrence, et en faveur de l'innovation et du multilatéralisme."


O atentado islamista na sede nacional da polícia francesa causa reacções fortes...

O ataque jihadista (quatro polícias mortos por esfaqueamento e uma fuga de informação de dimensão incalculável...), perpretado por um funcionário (islâmico) dos serviços informáticos da polícia (onde trabalhava há muitos anos) colocou ainda no topo da agenda um problema que ninguém tem querido admitir nem ver:

"Polices et autres services publics touchés par la radicalisation

"Face à l'islamisme, sommes-nous devenus lâches?" demande Le Point (dossier de 15 pages) qui publie, en outre une interview d'un universitaire qui dirige un livre sur la conquête de certains quartiers par un islam politique.

Bernard Rougier, est professeur à la Sorbonne-Nouvelle, et directeur du Centre des études arabes et orientales (CEAO): "Les territoires conquis de l'islamisme" qui sort en janvier. Il salue au passage le fait qu'Edouard Philippe ait évoqué devant le Parlement "une sécession insidieuse". Pour lui c'est une prise de conscience. Mais sera-t-elle durable?"

Les plus dangereux des radicalisés sont ceux qui font tout pour cacher la vérité estime l'Express (dossier de 8 pages): "Principale menace: les adeptes de la taqiya (la dissimulation), par définition les plus difficiles à débusquer. Quand le gardien de la paix Mamadou M., bien noté par ses chefs, a été arrêté, ses collègues sont tombés de l’armoire. Leur «pote», ce «type sur qui tu peux compter» était très croyant, oui, mais pas prosélyte pour un sou. Pourtant, l’aimable Mamadou relayait la propagande de Daech sur les réseaux sociaux. Planqué derrière un pseudo, il s’était même réjoui de l’assassinat du couple de fonctionnaires de police de Magnanville, dans les Yvelines, en juin 2016."

L'Express évoque aussi "une réalité anxiogène: celle de la radicalisation d’agents de la fonction publique. Police, armée, éducation nationale, transports, prisons, santé... Aucun domaine n’est épargné, selon le rapport de la mission d’information sur les services publics face à la radicalisation paru fin juin.

Le phénomène inquiète, même s’il reste très marginal. Il concernerait une dizaine de surveillants sur les 41 000 que compte l’administration pénitentiaire, 0,05% des militaires de l’armée de terre et 0,03% des effectifs de la marine. A l’aéroport de Roissy, sur les quelque 80000 porteurs d’un badge rouge donnant accès à la zone réservée, 80 font l’objet d’un suivi régulier, contre 25 à Orly.

«Ce sont toujours des cas de trop. Dans des secteurs stratégiques, il ne devrait pas y en avoir du tout. Même une poignée, cela fait froid dans le dos», pointe le député LR Eric Diard, à l’origine du rapport avec Eric Poulliat (LREM), qui parle de «trous dans la raquette» et de «zones d’ombre».

"Le déni d’islamisme dans l’attentat de la préfecture de police de Paris, comme les mauvaises pistes du débat sur l’immigration, n’interrogent pas seulement la compétence du ministre de l’Intérieur. Ils disent la difficulté du pouvoir macronien à affronter ces deux sujets qui fâchent" écrit Valeurs Actuelles (dossier de 9 pages).
Face au "dénislamisme"

Dans Le Point, un long éditorial de Franz-Olivier Giesbert reprend le terme employé par Brézet dans Le Figaro: "Faut-il céder aux injonctions des professionnels du «dénislamisme», pour reprendre l’expression d’Alexis Brézet? Les esprits sont de plus en plus embrouillés par le théorème véhiculé par les islamo-gauchistes du Monde ou de Mediapart: tous les Arabes sont musulmans, tous les musulmans sont islamistes, donc être anti-islamiste, c’est être raciste. Les jobards!".

Dans Marianne, Natacha Polony s'inquiète aussi: "On peut se gargariser des «valeurs de la République» dans les discours posthumes, cela n’aura jamais aucun sens si la nation dans son ensemble ne les impose pas quotidiennement et avec fierté (...) en France même, 49% des musulmans de 25 à 44 ans estiment que la charia doit prévaloir sur les lois de la République."




segunda-feira, 14 de outubro de 2019

China Obriga as “Tecnológicas” a Escolher entre Lucros e Liberdade de Expressão


Ter acesso ao mercado chinês obriga a escolher: lucros ou liberdade de expressão. Ter os dois não é permitido, tem de escolher. Ou faz a censura que o PCC manda e pode fazer dinheiro. Ou opta por manter a liberdade de expressão e neste caso está ‘out’... Atento, o “OneZero” (“the front lines of the future, a new Medium publication about tech and science”) denuncia, com provas e todos os elementos de apoio necessários, esta chantagem de Pequim e mostra como “plataformas” e outras “tecnológicas” não têm capacidade para enfrentar a estratégia de guerra de informação (tanto pelos conteúdos como pelos continentes...) desencadeada pelo Estado chinês.

China Is Forcing Tech Companies to Choose Between Profits and Free Speech

Apple and Blizzard have been pulled into a political struggle, and the platforms are part of the playing field. This will be remembered as a week when a lot of American corporations suddenly realized they needed a China policy. The big tech platforms, much as they like to consider themselves neutral, are no exception.

Pequim obriga a silenciar a luta pela em democracia Hong-Kong...

It started in the NBA, where a now-deleted tweet in support of the Hong Kong protests by Houston Rockets general manager Daryl Morey prompted an outcry from the Chinese government and some awkward backpedaling by league officials. After catching blowback stateside for its efforts to appease China, the league eventually stood up for Morey’s right to speak freely, which in turn triggered Chinese companies to cancel the broadcasts of a pair of upcoming preseason games. China is a key growth market for the NBA, like many American entities, and the league has a streaming deal with Chinese internet giant Tencent, owner of WeChat.

The NBA isn’t a tech company, of course, but the controversy might not have happened without Twitter, which hosted both Morey’s tweet and a pro-China backlash to the tweet that appears to have been largely generated by bots rather than real people. (Twitter is blocked in mainland China, but there is evidence that the Chinese government has used the platform to spread propaganda targeting the Hong Kong protesters in the past.)

Meanwhile, tech analyst Ben Thompson notes in his Stratechery newsletter that the Chinese-owned social network TikTok appears to have begun hiding Houston .....



https://onezero.medium.com/china-is-forcing-tech-companies-to-choose-between-profits-and-free-speech-aed1f4db3a4

domingo, 13 de outubro de 2019

Da China em África


"Do Africa’s emerging nations know the secret of China’s economic miracle?"  

Uma pergunta no 'South China Morning Post' que sugere muitas respostas... A acompanhar o texto, uma sugestiva foto da Estação do Lobito, em Angola.


Muito simbólica a posição do angolano na foto: ele não toca na tarja e, de mãos cruzadas e olhar distante, parece estar ali apenas para compor o ramalhete e dar à foto uma cor local...


quarta-feira, 2 de outubro de 2019

Limes: A Fragilidade Geopolítica da Rep. Pop. da China


"A crise de Hong Kong revela a fragilidade geopolítica da República Popular", afirma o director da Limes - rivista italiana di geopolitica, Lucio Caracciolo, no editorial da edição dedicada aos acontecimentos de Hong-Kong e que estará à venda na próxima semana. "La crisi nell’ex colonia britannica rivela la fragilità geopolitica della Repubblica Popolare Cinese. Un intervento armato di Pechino avrebbe conseguenze in tutto il mondo. Il più debole in questa fase è Xi Jinping."


HONG KONG, LA LINEA ROSSA DELLA CINA


Il sangue scorre a Hong Kong.

Nel giorno in cui a Pechino si celebravano in pompa magna, con suoni, luci e larga esibizione di armi, i primi settant’anni della Repubblica Popolare Cinese, nella città in rivolta da mesi lo scontro fra polizia e manifestanti anti-regime ha cambiato dimensione.

Per le giovani avanguardie del movimento si trattava di mostrare che le proteste non sono destinate a spegnersi presto, anzi. Per le forze di repressione locali, che obbediscono alle direttive del governo centrale, occorreva segnare una linea rossa. Di sangue. Perché sia chiaro che Pechino non è assolutamente disposta a perdere il controllo indiretto – fra trent’anni previsto diventare totale – della porta principale fra la Cina e il mondo.

Le prossime settimane ci diranno se la possibile scalata della violenza, dai feriti ai morti alla strage, sia destinata a emulare la repressione di Piazza Tienanmen, nel 1989. Certo riportare il clima nell’ex colonia a sei mesi fa è ormai impensabile.

Qualsiasi cosa accada è evidente che Hong Kong non può essere “normalizzata” in tempi rapidi se non con la forza. Ciò che Pechino non ha interesse a fare, per le ovvie quanto incalcolabili conseguenze economiche e geopolitiche. Ma cui potrebbe sentirsi costretta, per impedire che la scintilla di Hong Kong incendi il paese. Ne metta in questione la stabilità.

La crisi di Hong Kong rivela la fragilità geopolitica della Repubblica Popolare.  .....


China: Da Génese da República Popular da China

Nos 70 anos da RPC, vale a pena dar uma vista de olhos pela sua genética. Para percebermos e sabermos do que falamos quando dizemos "China". A bibliografia em língua portuguesa sobre a China é escassa e pouco interessante. O que não deixa de dizer muito sobre o estado a que chegaram as elites portuguesas das últimas décadas... Os portugueses foram os primeiros europeus a estabelecer um contacto formal e regular com a China ("China" é mesmo uma palavra portuguesa...) e foram os últimos europeus a sair da China (depois de os ingleses terem saído de Hong-Kong). Pelo meio,nem tudo se passou bem. Recorde-se que o nosso primeiro embaixador enviado à China, Tomé Pires, foi feito prisioneiro por ordem imperial e morto na prisão... Mas, depois de tantos séculos de "convivência", não dispormos de uma bibliografia sobre a China é realmente lamentável e um sinal inequívoco da miséria intelectual em que estas elites se afundaram. 

Bibliografia, porém, é coisa que não falta em inglês e francês, por exemplo. Hoje, aqui se dá destaque a duas obras sobre as mulheres de Mao ou a vida do fundador da dinastia comunista vista através da relação com duas das suas concubinas.  Uma é já um "clássico" francês  e é da autoria do europeu que melhor conheceu a China do século XX, Lucien Bodard. A outra é uma obra mais recente, do sinólogo Alain Roux, sobre a última concubina do "imperador" Mao, Fénix de Jade, a sua tempestuosa relação e o papel político que esta "guarda vermelha" acabou por desempenhar nos últimos tempos de vida do "grande timoneiro". 



Sobre a "personagem" Mao, o espanhol El Mundo publica um curioso texto, light mas revelador, que vai vai muito além do que o título sensacionalista sugere:

Afrodisíacos y novocaína: la vida sexual de Mao Zedong 





China and the Ways of Heaven

No 70º aniversário da RPC, uma abordagem inteligente à sua realidade... “Politically, it is highly significant that no major thinker in China ever questioned the notion that society must be led by one single powerful figure: the monarch”  




An interview with Roel Sterckx | by Catherine Putz | The Diplomat | October 01, 2019

The image of China as a uniform giant, notes Roel Sterckx, either as sleeping, restless, or rising frames much of how the Western world views China. Sterckx, a professor of Chinese history at the University of Cambridge, aims to introduce the breadth of Chinese thought as rooted in its own distinct philosophical traditions to readers with his latest book, Ways of Heaven. An Introduction to Chinese Thought. Rather than treat Chinese “thought” as a stereotype, Sterckx lays out the roots of Chinese philosophy with more complexity than it’s often given. In the following interview with The Diplomat’s Catherine Putz, Sterckx explains why it’s important to delve deeper into Chinese history to understand contemporary Beijing.

https://thediplomat.com/2019/10/china-and-the-ways-of-heaven/  

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Espião: O lado secreto de Leonardo da Vinci


No 500º aniversário da sua morte, chega às livrarias, no próximo 03 de Outubro, uma nova edição  dos "Cadernos" do genial Leonardo da Vinci. Preparada pelo historiador Pascal Brioist, a nova edição  revela (pelo menos, parcialmente...) o seu lado secreto e confirma o que alguns já suspeitavam: Leonardo foi um agente secreto de França, país onde passou os últimos anos da sua vida e onde faleceu. Um homem tão enigmático como o sorriso deu à 'sua' Gioconda...


Tancos: Gente que não sabe onde está...



O 'intelNomics' tinha alertado, aqui, no passado dia 10 Setembro, para a guerra de informação que ia explodir em plena campanha eleitoral. É certo que o fez de forma subtil, embora tenha sido bem claro na denúncia da arrogância de uma elite política convencida de que tem o rei na barriga... Arrogância essa que, além de injustificável e desprovida de base de sustentação, lhe obnubila o olhar, impedindo-a de ver a realidade à sua volta. Dito de outro modo, esta classe política reinante não foi ainda (e, provavelmente, nunca o será...) capaz de gerar grelhas de leitura adequadas ao mundo deste século XXI. Daí que muito mais do que "gente que não sabe estar" seja gente que não sabe onde está... Que nem sequer sabe para que serve um telemóvel.

A "Guerra de Informação" Continua a Ser um Mistério para os Políticos

Quase toda a classe política reinante continua a ignorar tudo da "guerra de informação". E, claro, a não perceber a sua lógica. Nem o que....


sábado, 28 de setembro de 2019

Recessão Global Iminente...?


A pergunta sobre a iminência da recessão global é a pergunta de muitos triliões de dólares. A GPF coloca-a e procura dar-lhe a melhor resposta possível num trabalho gráfico que condensa os mais recentes indicadores. A sua leitura, porém, como não podia deixar de ser, é como a de uma pintura expressionista...


“A Looming Global Recession? More and more observers are sounding the alarm about a potential global recession. Here, we look at some of the countries most at risk for a downturn.”

Trump: O documento que fundamenta o pedido "impeachment inquiry"

O Partido Democrata americano parece querer esgotar-se numa estratégia de ataque reputacional a Trump, que combina manobras políticas e o apoio dos grandes media. E parece ignorar que Trump já se revelou um "inoxidável" e que, sobretudo, comunica directamente com o eleitorado, torneando assim os grandes media. 

Tudo isto revela um posicionamento das elites político-mediáticas do PD típico dos anos 80 e 90 do século passado. Típico do tempo em Bill Clinton podia garantir a pés juntos e de olhar muito sério "não tive sexo com essa mulher". Os tempos, porém, mudaram e convém saber e conhecer o mundo em que se está hoje.

A dirigente do PD Nancy Pelosi sabe bem que só por milagre se concretizará o "impeachment" de Trump, mas calcula que ocupar o palco político-mediático com um procedimento visando a destituição de Trump, durante os meses que antecedem as presidenciais de Novembro 2020, é a via mais segura para tentar evitar a sua reeleição no final do próximo ano.

O objectivo real não é, portanto, a destituição do presidente Trump mas sim um devastador ataque reputacional ao Trump candidato à reeleição. As guerras de informação não são, porém, coisa para amadores e, até agora, não foi notado qualquer sinal de haver um estratega de guerra de informação ao lado de Pelosi.

O momento escolhido para avançar com o pedido formal de "impeachment inquiry" também está longe de ser o mais azado. Trump apresenta hoje uma taxa de aprovação das mais altas (52%) do seu mandato e superior à de Obama, na mesma data do seu primeiro mandato...
O ataque reputacional é uma forma de guerra de informação, para destruir a imagem política de um alvo, que exige tempos e modos de execução rigorosos. Coisa que o PD, dirigido por Nancy Pelosi, também parece não ter sabido conceber e executar... 

Mas, sobretudo, antes de lançar qualquer tipo de guerra de informação, há que saber que, uma vez posta em marcha, ela terá, como qualquer outra guerra, uma imparável tendência para ganhar vida própria e escapar aos planos do seu criador. As capacidades próprias do "alvo" e o tipo de reacções que terá são decisivas para a evolução que tal guerra terá.

Ora, Trump também já provou ser neste campo um adversário temível cujo jogo se desenvolve de forma pouco convencional e menos previsível ainda. Veja-se a sua reacção ao anúncio por Nancy Pelosi da existência de um documento "classificado" que denunciava um conluio de Trump com o presidente da Ucrânia: Trump nega a existência de qualquer conluio e manda "desclassificar" o tal documento e divulgá-lo...


"House Speaker Nancy Pelosi recently announced her decision to open a formal impeachment inquiry against Pres. Donald Trump. Here’s the declassified complaint of the alleged whistleblower over Trump’s phone call with Ukraine Pres. Volodymyr Zelensky which became the basis of the impeachment proceedings:


What do you think. Should Trump be impeached?"

Veremos como, em Novembro 2020, tudo isto acaba e quem, pelo caminho, vai ser triturado ou incinerado pela guerra de informação desencadeada agora por Pelosi que (a meses de fazer 80 anos) terá também achado ter aqui a derradeira oportunidade da sua vida política.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Tancos: Golpe em Slow Motion...

Tancos nas manchetes a 8 dias das eleições legislativas.

O rebentamento dos explosivos de Tancos em plena campanha eleitoral é, pelo menos, uma coisa equívoca e muito infeliz em que o Ministério Público se arrisca a perder o que lhe resta de boa reputação. E também - o que é bastante mais grave - a dinamitar a República. Esta acção do MP é equívoca porque não tem uma leitura óbvia e clara e, portanto, se presta a diversas e até contraditórias leituras. Como, por exemplo, esta de Carlos Matos Gomes, coronel-comando, romancista e autor de uma regular intervenção em diversos media. Esta análise à acção do MP foi publicada no Medium

Para Matos Gomes, "Os beneficiários desta acusação Tancos, são a PJ e o MP, que reforçam o seu poder como corpos determinantes das políticas do Estado. Trata-se de uma ação encoberta de guerra suja. Tecnicamente e sem subterfúgios: chama-se a isto um golpe. Para defesa da democracia e do Estado de Direito, em minha opinião, este golpe e os seus autores têm de ser enfrentados e desmascarados, com todos os riscos que isso comporta." Como comentava, com ironia, um general na reserva, "não se pode deixar que os civis brinquem com explosivos". 

O IntelNomics seguirá atentamente o caso, na óptica que nos é própria, a da inteligência económica, usando conceitos como "perceptions management", "information warfare" e "reputation". Aqui se regista (para memória futura...) o texto de Carlos Matos Gomes:

Tancos e as Operações de Falsa Bandeira

Carlos Matos Gomes | Medium | Sep 26, 2019

Operação de bandeira falsa (False flag, em inglês) são operações conduzidas por governos, corporações, indivíduos ou organizações que aparentam ser realizadas pelo inimigo, de modo a tirar partido das consequências resultantes. O nome deriva do conceito militar de utilizar bandeiras do inimigo. Operações de bandeira falsa foram e são realizadas tanto em tempo de guerra como de paz.  A questão das armas de Tancos tem muitas das caraterísticas das operações de bandeira falsa.

Uma das operações de bandeira falsa mais conhecidas é a do incêndio do Reichstag, em 1933, supostamente por um ativista comunista chamado Marinus van der Lubbe. Hitler usou o incêndio como pretexto para aprovar a Lei de Concessão de Plenos Poderes. Sabe-se hoje que foram os nazis os responsáveis pelo incêndio, para criarem um motivo que justificasse a eliminação dos seus opositores e a tomada do poder.

Em Portugal, a operação de falsa bandeira mais conhecida é a do processo dos Távoras. O primeiro-ministro, Sebastião de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal, encenou um atentando contra o rei José I para acusar e eliminar as famílias mais importantes e que lhe faziam frente.

A PIDE utilizou as suas milícias “Flechas” na guerra colonial para realizar ações contra missões protestantes em Angola, como se fossem de guerrilheiros, para forçar os missionários a abandonar as regiões onde estavam instalados.

A questão das armas de Tancos tem muitas das caraterísticas das operações de bandeira falsa.

O Ministério Público, de quem ela depende, acusa a Polícia Judiciária Militar de ter “invadido” os poderes da Polícia Judiciária, o longa manus do MP, o seu braço executor. A PJM é apresentada como um grupo criminoso, a falsa bandeira, que se conluiou com alguém para furtar material de guerra de paióis e para encenar a sua recuperação.

A PJ e o MP colocam fora de jogo um competidor no poder policial, a PJM, com acesso a informação e ao consequente poder de influenciar decisões (chantagem, em claro). Conseguem que esse competidor/adversário seja apresentado na situação de arguido de um crime, o seu diretor é preso e bem assim alguns dos seus quadros. Pelo caminho encostam à parede todo o poder político, presidente da República e governo, inclusive, a quem passam a mensagem de que estão nas suas mãos.

Com acesso privilegiado à comunicação social, que depende da PJ e do MP para as suas parangonas e as suas emboscadas políticas, este par de atores (PJ e MP) passa a dispor dos meios para uma grande operação de mistificação da opinião pública.

As técnicas de manipulação são conhecidas e obedecem aos 10/11 princípios estabelecidos e fixados por Goebbels, o ministro da propaganda de Hitler. Ainda hoje cartilha seguida pelos poderes subterrâneos, incluindo a publicidade e a ação psicológica. Empolar um facto, o assalto aos paióis, na realidade nunca a segurança nacional esteve em causa e, se esteve, a principal responsabilidade seria da PJ, que, segundo foi publicado, possuía informação do perigo e não a comunicou a quem a podia neutralizar, as forças armadas. Outro principio do condicionamento é o de inverter as causas e os efeitos. Em termos de opinião pública o caso surge centrado no eventual encobrimento da recuperação e não no furto, esse real.

A PJ forneceu as armas (argumentos) ao MP e este tomou-as como boas e acusa as forças armadas, a PJM, o governo e o Presidente da República de se terem atravessado no seu caminho, de não os deixarem atuar à sua maneira e no seu interesse, de lhes terem perturbado as suas agendas e prioridades políticas.

A acusação do MP é uma peça da luta pelo poder entre aparelhos do Estado. Nada a ver com justiça ou descoberta de verdade. É luta pelo poder nua e crua. Dura. Facadas a sério no Estado democrático, também.

A informação é um poder. Como temos visto com estupefação e repulsa no Brasil, o aparelho policial judiciário e os agentes judiciais, juízes e magistrados, são hoje os atores privilegiados para a tomada do poder de grupos de interesses, que vão da finança aos grandes negócios com o Estado, ao tráfico de influências, para que as unhas privadas se cravem nos bens públicos, na ilustrativa terminologia de «A Arte de Furtar».

Pessoalmente já participei em operações de falsa bandeira. Não há inocência nem bons sentimentos nelas, nem em quem as determina ou executa. Elas devem ser espetaculares, como as ações da seita dos Assassinos, de Hassan al Sabath, o velho da montanha, provocarem os maiores estragos possíveis e estes obter a maior publicidade e divulgação possível. É o que está a acontecer diante dos nossos olhos. Não se fala de outra coisa. Alguém estará, algures, a esfregar as mãos.

Também sei que para conhecer os autores destas ações o primeiro passo é descobrir quem beneficia com elas. Chercher la femme. Não sejamos ingénuos. Não é resposta dizer que à justiça o que é da justiça. Não se trata de justiça. Trata-se de uma ação encoberta de guerra suja. As armas, ou a tralha dos paióis, que é mais rigoroso, foram um mero pretexto para eliminar concorrentes, mesmo menores, caso da PJM, para demonstrar poder aos poderes eleitos. A mensagem aos políticos é clara. Estão a dizer-lhes que podem descobrir armas, sob qualquer forma, nos paióis deles. Ameaça e chantagem.

Os beneficiários desta acusação Tancos, são a PJ e o MP, que reforçam o seu poder como corpos determinantes das políticas do Estado. Poderes fáticos. É um dado. Os grandes prejudicados são os poderes eleitos pelos cidadãos, o governo saído de uma assembleia e um presidente eleito por voto direto. É ainda atingida a instituição armada, aquela que representa a última autoridade do soberano, as forças armadas.

Tecnicamente e sem subterfúgios: chama-se a isto um golpe. Para defesa da democracia e do Estado de Direito, em minha opinião, este golpe e os seus autores têm de ser enfrentados e desmascarados, com todos os riscos que isso comporta.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

"Impeachment": Trump Contra-Ataca

Preparem-se. A coisa anuncia-se como uma batalha feroz. Uma batalha de guerra de informação que vai liquidar personalidades e carreiras e deixar muitos "mortos" no terreno. Trump já começou a sua contra-resposta, via um dos seus canais habituais de "artilharia ligeira", a Breitbart, ao "formal impeachment inquiry" desencadeado pela dirigente do Partido Democrata Nancy Pellosi (79 anos). Esta "salva de artilharia" inclui mesmo uma surpreendente notícia: "Democrats Wrote to Ukraine in May 2018, Demanding It Investigate Trump"... Até ao dia 3 de Novembro de 2020 (data das próximas presidenciais), a guerra de informação não terá sequer um minuto de intervalo e "não haverá prisioneiros" (mesmo que alguém acabe por ir preso). Esta é a primeira campanha eleitoral inteiramente dominada e ocupada pela guerra de informação... Um processo a seguir, portanto, com toda a atenção.


Barcelona já está a arder

"Por el bien de España, hay que bombardear Barcelona una vez cada 50 años" A frase do comandante das forças de Madrid qu...