segunda-feira, 21 de março de 2022

Conhecer e Perceber a Cultura Russa

José Mateus

Comprei, há anos, umas calças e um blusão russos. Para ver e sentir como seria vestir a normal ‘farpela’ de um russo de Kazan, Moscovo ou Vladivostoque. Andei meses para ‘incorporar’ a sua lógica de organização, tanto das calças como do blusão, e ainda hoje, quando os visto, preciso de uns segundos (ou mesmo mais...) para conseguir descobrir onde guardei os óculos de sol, em que sítio está a caneta ou onde pára a carteira... Roupa bem pensada e eficiente, mas 'matrizada' de forma  completamente diferente da que podemos adquirir na Europa ou nos USA. 

Isto, esta dificuldade de entendimento com uma simples roupa de uso corrente, ilustra bem como a cultura russa é diferente da euro-americana e como o lidar com ela não é coisa óbvia e requer estudo e conhecimento.

Tempos depois, em Paris, conheci a C. que era russa (embora se tivesse fixado em França muitos anos antes) e trabalhava como ‘assistente’ do CEO de uma grande empresa que era minha cliente. Pouco depois, o CEO, durante um almoço de trabalho, perguntou-me o que eu pensava dela. “É – respondi-lhe - o retrato de um tanque T-34, vai tudo à frente”. O T-34 não é uma tecnologia recente, data da II Guerra, mas foi nele que a C. me fez pensar quando a vi a trabalhar.


Russian Butt Slap Competition

Recentemente, foi inventado na Rússia um novo “desporto” que vale bem a pena observar com atenção, vendo para além das (belas) aparências, e reflectir sobre ele... Sobre as suas regras e os seus objectivos e o que nos podem dizer da “alma” russa.

Explicação deste recentíssimo “desporto” russo pelo inglês Daily Star.

Numa perspectiva mais histórica e literária, mas com muito século XX pelo meio e muitos mergulhos na 'alma' russa, veja-se o escritor muito apreciado pelo conde Alexandre de Marenches, Vladimir Volkoff. 


Como refere a Wiki, "With Le Montage ("The Set Up"; winner of the Grand Prix du roman de l'Académie française, 1982) Volkoff illustrated the methods and networks of tricks and traps of Soviet "disinformation" in Europe; the idea of this novel could have come from Alexandre de Marenches, director of the SDECE (now DGSE), who may have provided the factual basis for its plot."


O conhecimento não supõe qualquer justificação e muito menos uma aceitação. É apenas imprescindível. Cinco séculos antes de Cristo, um clássico asiático deixou isso gravado em lâminas de bambu atadas com fios de seda: “Conhece o teu inimigo e conhece-te a ti mesmo e vencerás mil batalhas sem perigo”.



Vídeo do novo "desporto" russo no Youtube: 

quinta-feira, 10 de março de 2022

"The Russia Archive": Novo Capítulo na Guerra de Informação

"ICIJ announces the Russia Archive, an inside look at the hidden wealth of oligarchs and elites close to Putin


"To highlight and advance what our investigations have uncovered about how the offshore system bolsters networks of wealth behind Putin and his longtime allies, ICIJ is launching the Russia Archive.

"In the Russia Archive, you can explore past ICIJ exposés on the financial secrets of Russian elites, insights on the professional enablers who’ve made it possible for them to move and hide money offshore, and our ongoing coverage of sanctions regimes, dirty money reforms and more."

terça-feira, 8 de março de 2022

DEFESA NACIONAL, O QUE É?

Explica-me o que é isso da Defesa Nacional, como se eu fosse muito burro

O termo “defesa nacional” engloba todas as necessidades e o planeamento e preparação para atender às necessidades essenciais de defesa, industrial e militar relativas à segurança, bem-estar e economia nacionais, particularmente resultantes de ações militares ou econômicas estrangeiras.

A Defesa Nacional visa, portanto, preservar a integridade do território nacional e a vida das pessoas, bem como defender os interesses vitais dos países e dos seus aliados. Assim sendo, podemos considerar que a Defesa Nacional é o conjunto de ações adotadas pelos Estados para garantir a sua sobrevivência contra riscos e ameaças.

O objetivo da defesa nacional é, em tempos de paz, preparar o país para uma possível conflagração. E, se se tratar de um conflito aberto, conduzir a guerra e alimentá-la, protegendo a população, o solo e os recursos.

O objetivo da estratégia de segurança nacional é então o de identificar todas as ameaças e riscos que possam afetar a vida da Nação, em particular no que diz respeito à proteção da população, à integridade do território e à permanência das instituições da República, e determinar as respostas que as autoridades públicas devem fornecer.

Uma política de defesa nacional coerente é uma das políticas setoriais fundamentais no setor da segurança. As políticas de defesa devem ser derivadas de políticas e estratégias de segurança nacional devidamente acordadas. A análise e consulta das necessidades da política de defesa normalmente resulta no que é frequentemente chamado de Livro Branco da Defesa que, uma vez aprovado pelos governos, estabelece diretrizes políticas para o setor da defesa durante o período da sua vigência.

Tal como acontece com todas as outras áreas da política, as configurações da política de defesa devem ser mantidas sob revisão contínua. Inevitavelmente, com o passar do tempo, as configurações de políticas tornar-se-ão irrelevantes para o ambiente estratégico, político, econômico, tecnológico ou social, caso em que uma nova estratégia de desenvolvimento de políticas será provavelmente necessária. Uma vez que as atividades, estruturas de forças, ou planos de reequipamento, bem como os orçamentos previstos divirjam significativamente da política traçada, é provável que seja necessário um reexame das configurações da política, caso em que o processo precisa ser reiniciado.

Mesmo depois de implementada, a política ainda precisa ser monitorizada e avaliada para garantir que atende à intenção política por trás dela.

As nações que enfrentam uma ameaça comum geralmente reúnem os seus esforços de defesa em alianças como a OTAN. Embora a OTAN seja uma aliança formal, as nações também podem cooperar implicitamente em alianças informais, compartilhando responsabilidades e encargos de defesa sem as amarras de uma organização internacional.

Função política soberana, a Defesa é nacional porque diz respeito não só à Defesa Militar e às Forças Armadas, mas também a todas as administrações responsáveis ​​pelas grandes categorias de funções ou recursos essenciais à vida do país. E esta é a conceção global que deve ter-se acerca da Defesa. A Defesa Nacional é, portanto, um dos componentes da política de segurança nacional, e baseia-se nos seguintes princípios:


• Globalidade, já que diz respeito a toda a população e a todos os setores da vida do país (defesa civil, econômica e militar);


• Permanência, porque tem de ser organizada desde tempos de paz;


• Unidade, para isso sendo liderada pelo governo;


• Proteção dos interesses fundamentais do país. Esses interesses poderão ser:


- Interesses vitais, nomeadamente a manutenção da integridade do território nacional, o livre exercício da sua soberania e a proteção da sua população e dos seus nacionais no estrangeiro.


- Interesses estratégicos, que consistem principalmente na manutenção da paz no país e nas suas zonas limítrofes, nomeadamente no mar e nos céus, bem como na preservação das condições necessárias ao prosseguimento das atividades económicas e de comércio;


- Interesses de poder vinculados às responsabilidades internacionais do país como membro de uma aliança de defesa;


• Contribuir para a estabilidade internacional, pois como membro da comunidade internacional, os países deverão defender os valores da democracia, bem como a solidariedade entre os Estados. Portugal tem também responsabilidades especiais como antiga potência colonial, particularmente em África onde procura favorecer a emergência de soluções regionais. As responsabilidades internacionais dos países envolvem sua participação em operações de promoção da paz (peace keeping e peace enforcement);


• Trabalhar num quadro europeu, uma visão fundamental para os países europeus, que devem atuar para a emergência de uma Europa forte, embora preservando as ligações transatlânticas.


• Pensar a Defesa como uma conceção global. Essa globalidade tornou-se ainda mais necessária com a proliferação de armas de destruição em massa (nucleares, radiológicas, bacteriológicas e químicas), a ascensão do terrorismo internacional, o desenvolvimento do tráfico (drogas, armas, seres humanos, falsificação...) e crimes cibernéticos.

 

De uma forma geral, uma política de Defesa Nacional estruturada deve poder proporcionar:

 

Proteção. Trata-se de garantir a segurança da população e o funcionamento das instituições e das atividades socioeconômicas do território. Esta função resulta em particular em:


• implementação de medidas de segurança das atividades de defesa económica espalhadas pelo território.


• ação permanente de segurança das ações de polícia (vigilância, neutralização, etc.);


uma posição marítima e uma posição aérea permanentes (assistência, deteção e interdição de aeronaves, etc.);


• Implementação de medidas de segurança dos sistemas de informação;

• sistemas implementados pelas autoridades civis, em caso de desastres naturais ou industriais;

 

Prevenção, Consiste em antecipar ou reduzir o nível de crises para evitar o uso da força. Baseia-se em:


• ação diplomática para uma solução pacífica de conflitos;

  uma política de controlo de armamento;


• recursos de inteligência estratégica (interceção de satélites de telecomunicações e observação);


  arranjos de cooperação militar para ajudar os países com os quais temos acordos de defesa de resolução de conflitos;


  dispor de forças de intervenção rápida.

Projeção de Força e Poder, caso as medidas preventivas não forem capazes de evitar uma eclosão militar. O ato pode ocorrer com uma simples presença, ou com o destacamento de forças beligerantes.

 Conhecimento e antecipação, fundamental para uma ação bem sucedida. Daí a necessidade de dispor de mecanismos eficazes de Inteligência, a todos os níveis (estratégica, económica, etc.)

Em suma, a defesa nacional diz respeito a todos os setores do país. Exige uma organização que cubra não só solo tradicional, mas também dos mares e espaços aéreos. Tem de constituir uma organização completa, bem estabelecida, de implementação instantânea, estável e válida tanto no quadro nacional como no quadro inter-aliado.

Podemos então olhar para a política de Defesa Nacional em três dimensões analíticas. Em primeiro lugar, a política militar, que é o conjunto de decisões destinadas a regular o comportamento político que as Forças Armadas geralmente tendem a desenvolver. Esta dimensão visa fortemente alcançar o controlo civil.

Em segundo lugar, a dimensão estratégica que pode ser definida como as ações, atitudes e medidas estratégicas destinadas a prevenir ou enfrentar diferentes situações de risco, conflito ou ameaças, potenciais ou reais, que ponham em perigo os interesses vitais e estratégicos de um país e que exijam a utilização do Instrumento Militar. Essa dimensão está relacionada à liderança político-civil da Defesa Nacional.

Em terceiro lugar, a dimensão internacional, que é aquela que contribui para a Política Externa e é definida como a política de defesa internacional. Esta última dimensão é a que deve permitir a articulação entre a Política de Defesa e a Política Externa, pelo menos de duas maneiras.

Primeiro, contribui para a Política de Defesa por meio do que os militares chamam de manobra diplomática.

Em segundo lugar, a Política de Defesa é essencial para a Política Externa porque num cenário de incerteza estratégica, onde não está claro quem ou o que é a ameaça, nem a sua magnitude, nem a sua intenção e direção, ela amortece, embora não eliminando os riscos de adoção de uma determinada atitude e posicionamento estratégico. Da mesma forma, a Política de Defesa é essencial para dar credibilidade à Política Externa.

A relação entre estas duas vertentes não termina aqui. A Política Externa precede a Política de Defesa. De facto, seguindo Carl von Clausewitz, consideramos que a guerra é um fato social, mas fundamentalmente político. Consequentemente, como argumentou Raymond Aron, a guerra surge da política, determina a sua intensidade, define o seu motivo e estabelece os seus objetivos políticos. A guerra termina quando os objetivos políticos são alcançados ou, melhor ainda, quando a política afirma que os seus objetivos foram alcançados. Os objetivos da guerra não são militares. Os objetivos estratégicos militares são uma função dos objetivos políticos. Se não há objetivos políticos não há guerra. 

A Defesa Nacional regulamenta assim a obrigação essencial e indelegável do Estado, onde devem convergir todos os esforços necessários para a preservação dos interesses vitais da República. Que tanto o Sistema de Defesa quanto o seu Instrumento Militar se justificam com base na própria existência do Estado e não na definição de um determinado cenário temporal e das suas correspondentes ameaças, e que a sua essência está relacionada ao eventual exercício do monopólio da força para a resolução do conflito em todos os seus âmbitos, da crise à guerra ou ao conflito armado internacional, conforme determinado pelo poder executivo. É então da responsabilidade política estabelecer os parâmetros e critérios a ter em conta para a missão, organização e funcionamento do Sistema de Defesa em geral e, em particular, das Forças Armadas para que se tornem um verdadeiro instrumento de dissuasão, de acordo com a perceção de ameaças aos interesses da Nação e seus correspondentes riscos presentes e futuros. Essa dissuasão é uma das formas de atuação e expressão da Defesa Nacional.

Assim sendo, a Defesa Nacional é também todo o conjunto de disposições, decisões e ações que o Estado adota para garantir a sua própria existência e, ao mesmo tempo, proteger o desenvolvimento do país.

A Defesa Nacional enfrenta um conjunto de problemas complexos e permanentes em cuja solução intervêm igualmente os mais altos órgãos de direção política do Estado, os dirigentes das entidades económicas, sociais, culturais, públicas e privadas, bem como as Forças Armadas.

Finalmente, a Defesa Nacional é obrigação de todos os cidadãos, governantes e governados, bem como estrangeiros residentes no país, sem distinção de raça, credo, partido político, idade e sexo.

Sérgio Campos

(Presidente do Círculo de Estratégia D. João)

 

sábado, 5 de março de 2022

Ucrânia: Vice-presidente do Brasil Diverge de Bolsonaro

Contra a invasão da Ucrânia, 0 vice-presidente do Brasil, General Hamilton Mourão, declarou em nome do governo:

“O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que respeita a soberania da Ucrânia.”

General Hamilton Mourão, vice-presidente do Brasil, contra invasão russa da Ucrânia, em contradição com Bolsonaro, em declarações oficiais a 24 Fev 2022

O vice-presidente do Brasil também apoiou o uso da força militar contra os russos e comparou Putin a Hitler.

Uma declaração nos antípodas da posição putinista do presidente Bolsonaro...

O vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, defendeu hoje (24) a soberania da Ucrânia, apoiou o uso da força na região para conter os russos e comparou o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ao ditador alemão nazista Adolf Hitler (1889-1945). 

"O mundo ocidental está igual ficou em 1938 com o Hitler, na base do apaziguamento, e o Putin não respeita o apaziguamento", afirmou ele a jornalistas nesta manhã. "O Brasil não está neutro. O Brasil deixou muito claro que respeita a soberania da Ucrânia."...

Há alguns dias, o presidente Jair Bolsonaro (PL) disse que Putin era uma pessoa de "paz". Mourão não quis responder sobre essa avaliação feita antes. "Não comento palavras do presidente."

https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2022/02/24/hamilton-mourao-uso-forca-ucrania-russia-adolf-hitler-vladimir-putin.htm

sexta-feira, 4 de março de 2022

Putin: Ambições, Forças e Fraquezas da Rússia

A 'Diplomatie' (ao contrário de 'boa gente' que anda por aí...) não se deixou distrair  e, nos últimos anos, tem seguido atentamente o 'jogo' de Putin. Não se deixou, portanto, surpreender pelas jogadas do senhor do Kremlin. Agora, para ajudar a perceber os fundamentos e as razões do que se passa na Ucrânia, oferece a leitura dos conteúdos de um dos seus últimos dossiers dedicado aos 'jogos' do Czar.

"Afin de permettre une meilleure compréhension des évènements qui frappent aujourd'hui l'Ukraine, nous partageons GRATUITEMENT le dernier numéro du magazine DIPLOMATIE consacré à la géopolitique/géostratégie russe, réalisé en collaboration avec l’Observatoire franco-russe (CCI-France-Russie) et le Centre Russie/NEI de l’Institut français des relations internationales (IFRI). Bonne lecture!"

terça-feira, 1 de março de 2022

O Fim do Mundo É Apenas o Princípio... Mapeando o Colapso da Globalização

Peter Zeihan tem sido, desde há muito, uma das referências do IntelNomics, por isso é com muito gosto que apresentamos hoje a próxima obra do Peter: 

THE END OF THE WORLD IS JUST THE BEGINNING - Mapping the Collapse of Globalization


2019 was the last great year for the world economy.

For generations, everything has been getting faster, better, and cheaper. Finally, we reached the point that almost anything you could ever want could be sent to your home within days – even hours – of when you decided you wanted it.

America made that happen, but now America has lost interest in keeping it going.

Globe-spanning supply chains are only possible with the protection of the U.S. Navy. The American dollar underpins internationalized energy and financial markets. Complex, innovative industries were created to satisfy American consumers. American security policy forced warring nations to lay down their arms. Billions of people have been fed and educated as the American-led trade system spread across the globe.

All of this was artificial. All this was temporary. All this is ending.

In The End of the World is Just the Beginning, author and geopolitical strategist Peter Zeihan maps out the next world: a world where countries or regions will have no choice but to make their own goods, grow their own food, secure their own energy, fight their own battles, and do it all with populations that are both shrinking and aging.



The list of countries that make it all work is smaller than you think .....

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

“A Europa é um local estranho”, diz George Friedman a propósito da crise na Ucrânia


Europe is a strange place. Afirma o nosso velho amigo Friedman que passa a explicar: On one hand, senior European leaders in Germany and France have sided with the United States in the crisis. Both countries are aware of the fragility of Europe’s eastern front and the need to stiffen it. Poland and Hungary are members of NATO, and as such, Poland should be supported on all levels, while Hungary should be reminded of the benefits of membership as well as its obligations. On the other hand, in spite of declarations by major European leaders, and NATO’s policy and mobilization, the EU seems oblivious to the dangers and allowed serious actions to be imposed at this moment against two significant members of NATO, one committed to defending Europe and the other in need of persuasion. (...) The fact is that there is an insularity that has emerged in Europe since 1991 that holds that the only thing threatening Europe is the exaggerated fears of the Americans, and that the rule of law transcends the reality of tanks. This is a nuisance to the United States but a deep danger for Europe. There are real dangers out there (whether Russia’s military buildup is one or not is irrelevant), and Europe can be blind to them but cannot avoid them. The rule of law does not trump military force. The last is well known to Europe. (...) But it derives from a system of law and governance that is willfully and pleasantly blind to what is out there.

Europe and the Ukraine Crisis

George Friedman | GPF | February 22, 2022

Last week, the European Union’s highest court ruled that Brussels can withhold funding from member states that violate the rule of law, slapping down a legal challenge from Hungary and Poland. The ruling clears the way for the European Commission to levy certain penalties against Budapest and Warsaw, including suspending payments to both countries from the EU’s budget. These payments are in the billions of euros and are important to these countries for sustaining their economies. What is important is that this decision, pending for more than a year, was published in the midst of the face-off with Russia over Ukraine, at a time when Europe needs to present a united front.

Now, courts are known at times to be oblivious to realities outside the courtroom, but not to overwhelming realities. I doubt that two days after Pearl Harbor, an American judge would have sentenced a group of American sailors for drunken brawling; stern warnings would be given and the sailors returned to their ship. There was a war on, and sailors would be fighting it.

Poland and Hungary are part of the line running from the Baltic to the Black Sea that would absorb any Russian attack on Europe. There will likely not be such an attack, but “likely” is not a term much honored in the history of geopolitics. Poland guards the North European Plain, the main path of invasion – in both directions. Poland’s fear of and opposition to Russia is built into its DNA. It recently bought about $6 billion worth of tanks from the United States. Those tanks will stand between Belarus and Germany. The European Court of Justice’s ruling not only grants Brussels the legal authority to divert critical money from Poland, but also signals to Poland that for the EU it is business as usual. Poland may be facing its ancient enemy, but the EU lacks the wit to postpone the ruling.

The Hungarian situation is the opposite of Poland. Viktor Orban, Hungary’s prime minister, visited Russian President Vladimir Putin shortly after the Ukraine crisis broke. He said he agreed with Putin’s demands for security guarantees and was allowed to purchase a great deal of Russian natural gas at a discount. Hungary is not as strategically significant as Poland, but shifting toward alignment with Russia at this time is not in the interest of those resisting a potential attack. The EU should be doing what it can to draw Hungary out of the Russian relationship and into the European system, but instead it chose this moment to chastise Budapest and threaten to cut funding. Orban is not in the minority in Hungary with his distrust of the EU, and the bloc’s action at this moment reduces the chances of drawing Hungary back into the fold.

Europe is a strange place. On one hand, senior European leaders in Germany and France have sided with the United States in the crisis. Both countries are aware of the fragility of Europe’s eastern front and the need to stiffen it. Poland and Hungary are members of NATO, and as such, Poland should be supported on all levels, while Hungary should be reminded of the benefits of membership as well as its obligations. On the other hand, in spite of declarations by major European leaders, and NATO’s policy and mobilization, the EU seems oblivious to the dangers and allowed serious actions to be imposed at this moment against two significant members of NATO, one committed to defending Europe and the other in need of persuasion.

As I said at the beginning, courts must frequently be oblivious to what is happening around them – or at least pretend to be. But there are also times when it is impossible to ignore what is happening. At that point, prudence and a sense of proportion would dictate a postponement of a verdict that runs counter to overriding needs. And when the judges are unable to grasp reality, a retired judge invites someone for lunch. I know that the EU legal system is so pure that the needs of Europe never enter their minds. But the fact is that they are neither so pure nor blind. There was something malicious in acting as they did when they did.

Whether Russia’s actions are real or feigned is not the point. The fact is that there is an insularity that has emerged in Europe since 1991 that holds that the only thing threatening Europe is the exaggerated fears of the Americans, and that the rule of law transcends the reality of tanks. This is a nuisance to the United States but a deep danger for Europe. There are real dangers out there (whether Russia’s military buildup is one or not is irrelevant), and Europe can be blind to them but cannot avoid them. The rule of law does not trump military force. The last is well known to Europe.

The decision to rule against Poland and Hungary is not the pivot of history. But it derives from a system of law and governance that is willfully and pleasantly blind to what is out there.

https://geopoliticalfutures.com/europe-and-the-ukraine-crisis/


domingo, 20 de fevereiro de 2022

Para Perceber a Estratégia de Putin na Ucrânia

Há quase cinco anos (a 12 Setembro 2017), o IntelNomics expunha a estratégia de Putin na Ucrânia e os passos necessários para a entender e ainda apontava alguns dos analistas que já a tinham entendido. Em vésperas da cimeira Trump-Putin, do  Verão 2018, José Mateus retomava o tema, no jornal online "Tornado", porque, considerava, "é importante perceber Putin, o seu tabuleiro de jogo e os seus objectivos". 

Ler o conselheiro presidencial Vladislav Surkov  

"Para perceber a estratégia de Putin na Ucrânia, sua essência, seus modos e seus tempos, há que ler o conselheiro presidencial Vladislav Surkov  e, especialmente, o seu livro de “ficção científica”… Aí se descreve um certo tipo de guerra “não-linear”, suas formas e lógicas e também o que move os seus protagonistas. A “ficção científica” de Surkov (que além de escrever é também um dos homens mais poderosos da política russa da última década e um velho e muito chegado colaborador de Putin) ilumina fabulosamente o lado obscuro da acção russa na Ucrânia. 

"Talvez por também ser especialista de guerras não-lineares (vidé Brave New War), o nosso amigo John Robb ao olhar para a Ucrânia viu duas coisas: “Putin is using open source warfare” e “In the 21st Century, warfare isn’t politics by other means. Warfare is business by other means”.

E o I.E. concluía, então: "Berlim não sabe no que se meteu e Putine vai explorar o erro europeu na Ucrânia para desestabilizar e alterar toda uma ordem nascida depois da implosão soviética e que é (era) desvantajosa para a Rússia".

Agora, a 29 Agosto 2017, Chris Arkenberg, invocando o “Chaos is a ladder” de Lord Petyr Baelish, (num mundo “fundamentally shaped and held together by digital networks” e em que “programmable media is a very potent weapon”) usa o caso ucraniano para procurar explicar “how Russia is shaping a new world of non-linear war and post-modern geopolitics”.

“Wars aren’t fought to win but rather to confuse"

Para Arkenberg, Vladislav Surkov “is a fascinating figure credited with staffing and directing Ukraine’s separatists and architecting the annexation of Crimea. As a former cabinet member and current adviser to President Putin he represents a new generation of postmodern geopolitics (for lack of a better term) that skewers pretty much everything that the 20th century was built upon.

“Wars aren’t fought to win but rather to confuse. There are reasons to back both dissident political parties and ultra-nationalist Nazis. Information is more powerful than weapons. Everything is PR, even science fiction. (Surkov is also a huge fan of Tupac and Allen Ginsberg.)

“Not only is it extremely important to interpret Putin’s Russia within this context, it’s also critical to understand these methods as the new emerging playbook for geopolitics." .....

Portanto, hoje, só não entende o jogo de Putin, seu tabuleiro, suas regras e seus fundamentos quem não quer.

https://intelnomics.blogspot.com/2017/09/normal-0-21-false-false-false-pt-x-none_12.html

sábado, 19 de fevereiro de 2022

A Escola de 'Sexpionage' do KGB/SVR Apresentada em 'Red Sparrow'

Como são 'fabricadas' as belas operacionais do SVR (ex-KGB) capazes de meterem um 'alvo' na cama (antes de ele perceber como lá foi parar) e de lhe extorquirem tudo o que quiserem? Em 'Red Sparrow' é mostrada a formação das operacionais mas, atenção, a escola forma também "pardais" machos... "Dominika (Jennifer Lawrence) is sent to State School 4, a SVR's brutal specialist training school for 'Sparrows', sexpionage operatives..."

Explicações na Wikipedia:

"In modern-day Russia, beautiful Dominika Egorova is a famous ballerina who supports her ill mother. Following a career-ending injury, Dominika is approached by her uncle Ivan, the Deputy Director of the SVR. She is tasked with seducing Dimitry Ustinov, a Russian gangster, in exchange for her mother's continued medical care. Meeting at a bar, the two go to her private room, where he rapes her. During this act, he is killed by Sergei Matorin, an SVR operative authorized by Ivan. Ivan offers Dominika a choice: become an SVR operative, or be executed for witnessing Ustinov's assassination.

Nate Nash is a CIA operative working in Moscow. While meeting with an asset in Gorky Park, they are confronted by the police. Nash creates a diversion to ensure his asset, a mole in Russian ranks code-named Marble, escapes unidentified. Nash is reassigned back to the U.S. but insists he is the only person with whom Marble will work. Since he cannot return to Russia, he is assigned to Budapest to reestablish contact with Marble, which the SVR also deduce.

Dominika is sent to State School 4, a brutal specialist training school for "Sparrows"—SVR operatives capable of seducing their targets with sexpionage. Dominika excels in her training, despite some friction with her trainer, known only as the Matron. Against the Matron's recommendation, Ivan and General Korchnoi decide that Dominika is ready for an assignment in Budapest—to gain Nash's trust and expose Marble's identity.

In Budapest, Dominika lives with another sparrow named Marta Yelenova, and is supervised by SVR station chief Maxim Volontov. Dominika makes contact with Nash, who quickly determines she is a Russian intelligence operative and attempts to convince her to defect.

Dominika inspects Marta's room and realizes that Marta has been assigned to buy classified intelligence from Stephanie Boucher, the chief of staff to a U.S. Senator. When Ivan pressures Dominika about her slow progress with Nash, Dominika claims to be helping Marta with Boucher as well. Marta is brutally killed by the SVR for apparently sharing her classified mission with Dominika and to warn Dominika what will happen to her if she fails. Dominika contacts Nash, agrees to become a double agent in exchange for protection for her and her mother, and has sex with him. Under Russian orders, Dominika travels to London with Volontov to meet Boucher and complete the trade, but covertly switches out the intelligence Boucher supplies with CIA-supplied disinformation.

When she leaves the meeting, Boucher realizes that she is being observed by American intelligence agents; she panics, backs into traffic, and is struck and killed. Russian agents observing Boucher realize their mission has been compromised. Suspected of tipping off the Americans, Dominika and Volontov are recalled to Moscow where they are tortured and interrogated for days. Volontov is executed, but Dominika's claims of innocence are eventually believed by Ivan, and she is allowed to return to Budapest to continue her original mission of extracting Marble's identity from Nash. Instead, she convinces Nash to relocate her and her mother to America.

After spending the night with Nash, Dominika awakes to find him being tortured by Matorin for Marble's identity. She initially assists Matorin with torturing Nash until Matorin lowers his guard and she kills him, but is badly injured while doing so. She wakes in a hospital where General Vladimir Korchnoi, a high-ranking official working with Ivan, reveals himself as Marble. He explains that he was initially patriotic, but became disillusioned by Russia's corruption. He fears he will be caught soon and, instead of dying in vain, instructs Dominika to expose his identity to Ivan. Doing so would make her a national hero, and allow her to replace him as a mole passing critical intelligence to the CIA. But when Dominika contacts her superiors, she frames Ivan as the mole instead, using evidence she had been fabricating since she first arrived in Hungary, and blaming him for the botched exchange in London. Ivan is killed and Dominika is honored in a Russian military ceremony attended by Korchnoi.

Back in Russia, Dominika lives with her mother, and receives a phone call from an unknown person who plays Grieg's piano concerto, which she previously had told Nash was the piece to which she danced her first solo performance."

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Dirigentes Europeus de Topo “Capturados” por Pequim e Moscovo

Dois ex-primeiros-ministros de França (ambos de "direita") apanhados nas investigações europeias às "actividades" chinesas... A "secreta" chinesa segue a velha escola do KGB na escolha e recrutamento das "amizades": prioridade à direita.

O ‘Le Point’ francês tem seguido, com permanente e apurada atenção a evolução das investigações de uma comissão especial do Parlamento Europeu sobre a “captura das elites europeias” pela China e pela Rússia. Recorde-se, no entanto, que os primeiros alertas sobre esta “captura” surgiram, há uns anos, em trabalhos da École de Guerre Économique sob a condução do nosso amigo Christian Harbulot. Vejamos alguma da mais recente informação do Le Point:

Ingérences étrangères: Fillon et Raffarin épinglés dans un rapport européen

Les deux anciens Premiers ministres sont visés dans un rapport du Parlement consacré aux influences étrangères sur l’Union européenne.

Dans un rapport du Parlement européen sur les ingérences étrangères en EuropeFrançois Fillon et Jean-Pierre Raffarin, deux anciens Premiers ministres français, sont mis en cause, au même titre que divers autres anciens hauts responsables européens. Le rapport a été adopté, le 25 janvier par la commission Inge spécialement créée pour traiter des ingérences étrangères en général, dont le phénomène particulier de la «capture des élites» par des puissances étrangères hostiles. Sont désignés, au premier chef, la Russie et la Chine (.....)

Le rapport de la commission Inge pointe d'autres responsables européens ayant décidé de travailler pour des intérêts russes ou chinois, parmi lesquels:

«l'ancien chancelier allemand Gerhard Schröder et l'ancien Premier ministre finlandais Paavo Lipponen ayant tous deux rejoint Gazprom pour accélérer le processus de candidature pour Nord Stream 1 et 2, l'ancienne ministre autrichienne des Affaires étrangères Karin Kneissl nommée membre du conseil d'administration de Rosneft […], l'ancien commissaire tchèque Stefan Füle ayant travaillé pour CEFC China Energy, l'ancien Premier ministre finlandais Esko Aho désormais au conseil d'administration de la Sberbank du Kremlin, l'ancien ministre français des Relations avec le Parlement Jean-Marie Le Guen désormais membre du conseil d'administration de Huawei France, l'ancien Premier ministre belge Yves Leterme nommé coprésident du fonds d'investissement chinois ToJoy, et de nombreux autres politiciens et fonctionnaires de haut niveau assumant des rôles similaires».

 

Lista dos primeiros-ministros e ministros de Estados da União Europeia a trabalhar para a China e a Rússia, segundo dados do Le Point de 15/01/2022 

France

François Fillon

Premier ministre (2005-2012)

Administrateur indépendant de Zaroubejnef, un groupe pétrolier public russe

Administrateur indépendant de Sibur, groupe pétrochimique russe

Dominique Strauss-Kahn

Ministre de l’Économie (1997-1999)

Ancien président du FMI

Administrateur du Fonds d’investissement souverain russe

Membre du conseil de surveillance de la Banque de développement régional de Russie, détenue par le géant pétrolier d’État russe Rosneft

Bruno Bézard

Directeur du Trésor (2014-2015)

Directeur associé du Fonds d’investissement franco-chinois Cathay Capital

Jean-Marie Le Guen

Secrétaire d’État des gouvernements Valls et Cazeneuve (2014-2017)

Administrateur indépendant de Huawei, géant des télécommunications chinois

Allemagne

Gerhard Schröder

Chancelier (1999-2004)

Président du conseil d’administration du groupe pétrolier d’État russe Rosneft (administrateur indépendant, sans détenir d’action)

Président du comité d’actionnaires de la société qui exploite le gazoduc Nord Stream, sous contrôle du groupe gazier russe Gazprom

Marion Scheller

Cheffe d’unité du département de Politique énergétique au ministère de l’Économie et des Finances (2013-2016)

Chef des relations institutionnelles de Nord Stream 2

Belgique

Yves Leterme

Premier ministre (2009-2011)

Coprésident du conseil d’administration du fonds d’investissement Tojoy, président de la branche Europe occidentale

Irlande

Dick Roche

Ministre des Affaires européennes (2007-2011)

Lobbyiste chez Huawei Europe

Finlande

Paavo Lipponen

Premier ministre (1995-2003)

Consultant indépendant pour Nord Stream

Autriche

Christian Kern

Chancelier (2016-1017)

Président de l’Association des entreprises autrichiennes chinoises (ACBA)

Karin Kneissl

Ministre des Affaires étrangères (2017-2019)

Administratrice indépendante du groupe pétrolier public Rosneft

Luxembourg

Étienne Schneider

Vice-Premier ministre (2013-2020)

Sistema (conglomérat russe)

République tchèque

Petr Necas

Premier ministre (2010-2013)

Président de l’association pour les Nouvelles Routes de la soie.

Bulgarie

Milen Velche

Ministre des Finances (2001-2005)

Capital manager de la banque russe VTB

Dados do Le Point de 15/01/2022 

 

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Trump, 17.06.2025