segunda-feira, 3 de outubro de 2022

Mudanças Radicais na Concepção e na Estrutura do Poder Militar

São perspectivas novas e inéditas que George Friedman vê abrirem-se nas concepções e estruturas da potência militar. Uma análise que é indispensável conhecer e uma evolução que é imprescindível seguir. Uma "leitura" que vem ao encontro dos interesses nacionais portugueses e lhe abre novos horizontes, numa perspectiva há muito defendida pela equipa "intelNomics", a do "dual use".


The Military Power in the 21st Century


"The evolution of military power is one of the most important if underrated geopolitical changes happening in the world today.  


Throughout the 20th century, military power was the province of large nations. With advances in martial technology, war no longer requires a massive population, nor does it require massive consumption of raw material.

 

This has significant geopolitical consequences. We can see this evolution most clearly in Israel.  


Founded first on French and then American weapons, the Israeli military now has homegrown capabilities that it (ironically) can sell to others.  


They are designed around the principle that putting troops at risk is a possible but rare event, while using unmanned force as the dominant element of strategy.  


Israel has come the furthest with this strategy, but it can be seen also in places such as the United Arab Emirates and Singapore.  


As a result, each wields international political power far beyond what might have been expected from it during the prior era.  


New technologies enable small powers to engage much larger powers.  


The core of the force is the technologists who maintain and upgrade systems – a fraction of the manpower needed by the old definition of great powers." 


Ucrânia: A posição da China face à ameaça nuclear russa

A escassos dias do congresso do partido-estado, Pequim toma posição (dúbia, como é norma chinesa) sobre a cada vez mais operacional (e não apenas política) ameaça nuclear russa na Ucrânia. Recorde-se que a doutrina nuclear russa, ao contrário da americana, há muito que colocou as armas nucleares tácticas abaixo da linha vermelha, equiparando-as, em estatuto, a armas convencionais... Sobre o posicionamento de Pequim face a esta ameaça de Moscovo, o Intelligence on Line noticiava há minutos:

Beijing intervenes again in response to Moscow's nuclear threat

Discussions within the Russian high command indicate that Moscow is preparing for an operational, rather than political, use of the nuclear threat in Ukraine. Behind the scenes in Beijing, there is support for the Kremlin's aggressive rhetoric, but not for the execution plans.  [...]

https://www.intelligenceonline.com/government-intelligence/2022/10/03/beijing-intervenes-again-in-response-to-moscow-s-nuclear-threat,109829978-art


quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Das relações tóxicas de "i hate myself" às relações de poder do "triangle of sadness"

i hate myself

Evoluções no cinema. Evoluções dos tempos. O "i hate myself", de Joanna Arnow, data de 2012, enquanto o "triangle of sadness", de Ruben Östlund, deve estrear no próximo Outubro. Uma década separa estes dois filmes. Descubram as diferenças, digo, as evoluções... E tentem perceber como isto aconteceu.

triangle of sadness

O humor (subtil, muito subtil, mas bem presente nos diálogos do "triangle of sadness") é um dos aspectos mais visíveis dessas evoluções. A conversa entre duas das personagens, sendo que uma defende uma narrativa "tipo Reagan" e a outra tem um discurso vagamente marxizante, é uma pequena jóia. A relação de poder entre "dinheiro" e "beleza" é outra jóia... Tal como o é a importância de saber pescar. Uma importância que acabará por colocar tudo de pernas para o ar. E mais não digo.

Apenas diria, em síntese e para poder citar um clássico, que temos razões para não desesperar. Se o humor ainda existe (ou está de volta...), nem tudo está perdido. Portanto, sejamos optimistas, estejamos preparados para o pior. E tudo se passará bem. Com umas pitadas de humor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

China: Xi reaparece (depois dos rumores de "golpe de Estado")

Bill Bishop, no Sinocism, dá hoje o "como" e o "quadro" deste reaparecimento do imperador vermelho.

  • Xi reappears - Xi led the Standing Committee, the rest of the Politburo, and many other top leaders on a visit to the “Forging Ahead in the New Era“ exhibition in Beijing, “an exhibition on the great achievements of the Party and the country over the past decade”. At a speech for the opening of the exhibition Wang Huning said “The fundamental reason why historic achievements and historic shifts have been made in the cause of the Party and the country is the helmsmanship and leadership of General Secretary Xi Jinping and the sound guidance of Xi Jinping Thought on Socialism with Chinese Characteristics for a New Era 新时代之所以发生伟大变革,根本在于习近平总书记掌舵领航,在于习近平新时代中国特色社会主义思想科学指引”.

  • Pre-Party Congress propaganda - More on the “Revitalization Library” and another argument for needing Xi to stay in charge.

  • More tax and fee relief - This week’s State Council Executive meeting again focuses on fee and tax relief, with deepening concerns about unemployment as the backdrop.

  • World Bank cuts 2022 GDP projections - The World Bank now forecasts that the PRC’s 2022 GDP growth will grow at 2.8%, barely half the rate of the rest of the Asia-Pacific region. The PRC leadership really set themselves up for disappointment by setting a GDP 5.5% “guidance” at the NPC in March, wish I understand the political logic of setting a target that just about everyone assumed was too high, even before the Shanghai lockdown disaster.

  • Local governments selling land to themselves? - Caixin on the growing trend of local governments desperate for revenue using their local government financing vehicles to buy land from the local governments, funded by bank loans. That does not sound either sustainable or like deleveraging?

  • Patriotic films for the October Holiday - One that it is a Top Gun-like story and another that is about bringing trapped PRC nationals home from a conflict zone.

  • Meta says stopped PRC campaign to influence US election - The campaign sounds small and poorly executed, but is a bad sign. If there are similar efforts on TikTok or Wechat, will we get reports on the activities from Bytedance or Tencent?

  • Ding Jaixi - A long and disturbing look by Reuters at the crackdown on lawyers through the case of Ding Jiaxi.

  • https://sinocism.com/p/xi-reappears-more-tax-and-fee-relief

  • terça-feira, 27 de setembro de 2022

    Conflito na Ucrânia: Guerra Híbrida, Guerra de Informação e Dezinformatsiya

    A guerra da Ucrânia não é uma "operação militar" ("especial" ou não), é uma guerra que se desenvolve, ao mesmo tempo, em vários tabuleiros e em que o "militar" pode nem ser (ou vir a ser) o mais importante, mas apenas o que serve para desencadear outras acções e outras dinâmicas que poderão tornar-se as decisivas, ou seja, uma espécie de detonador.


    É, portanto, uma "hybrid war", como o  povo, as criancinhas e os políticos mainstream já começam a ver. Uma guerra híbrida que, como os manuais russos das últimas três décadas a concebem e definem, se desenrola, em simultâneo, nos tabuleiros da política, da informação, da economia e do militar, utilizando uma larga palete de técnicas e de metodologias para confundir, desnortear e desorientar o inimigo (mais do que para o vencer no campo militar). Uma guerra em que nada é proibido e tudo é permitido, tal como na versão chinesa, chamada de "Unrestricted Warfare"  (ver aqui: https://www.c4i.org/unrestricted.pdf).

    A guerra de informação aqui desempenha um papel fundamental ao permitir moldar as mentes e os corações das populações do inimigo. A escola russa de guerra de informação sempre adoptou uma posição de "fraco" a enfrentar o "forte", sempre deu a primazia aos "conteúdos" e não, como a americana o faz, aos "continentes" e, desde há quase um século, desenvolveu como uma das  suas armas principais o que Estaline cunhou como "dezinformatsiya"... Caso exemplar e recentíssimo desta guerra de informação e da sua "dezinformatsiya" é o referido na foto acima. 

    segunda-feira, 26 de setembro de 2022

    China: Rumores de 'Golpe' parecem não ter fundamento

    Há escassas horas, uma das "fontes bem informadas" do IntelNomics, em Pequim, relativizava os "rumores" de "golpe" e fazia-nos o ponto da situação: 

    "The rumor was originally hyped by an account with a track record of making bogus claims, and in the frenzied amplification no one has presented any credible sourcing or evidence, just lots of wishful thinking.

    "Today Xinhua announced the full delegate list for the 20th Party Congress and the statement about the selection, also read out on the Sunday CCTV Evening News, opens with the line “Under the strong leadership of the Party Central Committee with Comrade Xi Jinping as the core”...

    Xinhua, comunicado do dia 25 09 2022

    terça-feira, 6 de setembro de 2022

    Bases de um ''SoftPower'' de Portugal

    Portugal não tem sabido gerir os seus recursos, tanto os materiais como os imateriais, nos últimos dois séculos. Tem mesmo conseguido a espantosa proeza de ignorar a existência de alguns dos seus principais recursos... No campo do imaterial (e do que agora se convencionou chamar "soft power") as "proezas" da ignorância portuguesa batem todos os records. Veja-se o ranking abaixo e pense-se um pouco no assunto, na sua fabulosa riqueza e no que com isso poderá ser feito.


    segunda-feira, 5 de setembro de 2022

    Tempos de Guerra pela Hegemonia Global

     José Mateus

    A potência marítima enfrenta, desde o início do século XXI, os mais sérios e perigosos desafios colocados, desde a II Guerra, pelos "chalengers" continentalistas. 

    Este tempo é, portanto, como há anos venho a escrever, de decisiva disputa por uma nova hegemonia global e, consequentemente, por um novo modelo global.

    Há anos, logo no início da passada década, chamei a atenção para a necessidade de bem ler o então ideólogo-mor de Vladimir Putin, em cujo sub-texto era possível descortinar já tudo o que veio a desenvolver-se e a que agora se chama "crise ucraniana". 

    Infelizmente, às "elites" políticas ocidentais, enredadas em assuntos mais prementes, faltou o tempo para dedicar à leitura da "ficção política" de Vladislav Surkov. Falta de tempo que hoje pagamos caro, demasiado caro, incomportávelmente caro. Um preço que ninguém via desde a II Guerra.



    Hoje, se Surkov continua a ser de leitura obrigatória, é absolutamente necessário, imprescindível mesmo, que as "elites" políticas ocidentais (ou, pelo menos, aqueles que são os cérebros dessas "elites"...) travem conhecimento com o ideólogo-mor de Xi Jinping e a sua obra capital, o "America Against America" do aterrador teórico principal do PCC, Wang Huning. 


    Que a distração destas "elites" não se repita, espera-se.

    quarta-feira, 24 de agosto de 2022

    Patrick Drahi é o maior 'shareholder' da British Telecom, com 18%

    No 'Guardian' de hoje: 

    Billionaire Patrick Drahi allowed to keep BT stake after security review

    Drahi’s investment in BT prompted scrutiny by the government under new powers to intervene in takeovers of companies with interests in critical sectors of the UK economy, such as communications, energy, defence and transport.


    Entrepreneur prompted government investigation in May after raising stake in UK telecoms company to 18%

    The billionaire Patrick Drahi will not be forced to cut his stake in BT after the UK government ruled the investment did not pose any national security concerns.

    Drahi, who moved to France as a teenager and holds Israeli, French and Portuguese citizenships, is BT’s biggest shareholder.

    Drahi’s investment in BT prompted scrutiny by the government under new powers to intervene in takeovers of companies with interests in critical sectors of the UK economy, such as communications, energy, defence and transport.

    https://www.theguardian.com/business/2022/aug/23/billionaire-patrick-drahi-allowed-to-keep-bt-stake-after-security-review

    segunda-feira, 22 de agosto de 2022

    Prof. Garcia Domingues: "A Língua Portuguesa É Moçárabe"

    Uma sugestão de Verão: Aproveitar o que resta das férias para ler o maior dos (escassíssimos) arabistas portugueses (e o único que lia os clássicos islâmicos no original e também traduziu alguns, como o nosso Ibn Caci, o aliado de Afonso Henriques), o senhor Professor Garcia Domingues, autor de vasta bibliografia. Aqui apresentado na sua última grande entrevista. Renovamos os votos de boa leitura

    Entrevista ao Prof. Garcia Domingues na revista “Leonardo”

    in "Leonardo", Ano I, n.º 4, Dez. de 1988, pp. 25-31


    Leonardo – Os árabes contribuíram para a formação de Portugal?

    Garcia Domingues – Em meu parecer, os muçulmanos não influenciaram a formação da nossa Pátria, pois no pensamento árabe do tempo não se distinguiam figuras de relevo, como poetas, filósofos e teólogos.

    Se os árabes contribuíram em algum aspecto para a definição da nossa nacionalidade foi apenas no que respeita ao território e aos aspectos demográficos. Não há influência nítida e demonstrável do pensamento árabe no Norte. Não encontrei verdadeiramente essa influência… Engraçado, sou arabista e pareço um anti-árabe.

    L – Existia algum diálogo entre cristãos e muçulmanos?

    GD – Não, nunca houve um verdadeiro diálogo. O que aconteceu foi uma coexistência que, raro em raro, não foi pacífica.

    Mas os moçárabes facilitaram a Reconquista, até mesmo a conquista do Algarve. Muitos deles, entre os quais um tal Garcia Rodrigues, frequentavam as cortes dos chefes mouros e dos Cheikes dando a conhecer os pontos fracos das suas defesas. Como sabem, o Conde Sesnando que tinha sido durante muito tempo primeiro ministro da Taifa de Sevilha, auxiliou o Rei Fernando Magno na conquista de Coimbra.

    A ajuda desses povos foi de tal modo importante que quando o Rei D. Afonso Henriques fez prisioneiros moçárabes gerou um protesto dos monges de Santa Cruz de Coimbra.

    L – Podemos entender que há uma realidade de Portugal mesmo antes da conquista?

    GD – Estou convencido de que sim. Antes da formação do Reino deram-se eventos que determinaram a constituição de substractos etnográficos que facilitaram as conexões que lhe deram unidade e origem.

    No território ocidental sempre existiu uma tendência para se criarem forças independentistas. Houve durante muito tempo a Taifa de Badajoz que incluía Beja, Évora, Santarém, Lisboa, Coimbra e Viseu que foi ocupada pelos Reis de Castela e, posteriormente, recuperada pelos Almorávidas. Por outro lado, existira antes o Reino dos Suevos, que correspondeu a todo o nordeste peninsular até à região de Coimbra.

    Estes Estados correspondem em muito, ao actual território português e, nesse sentido, pode-se afirmar que são o prenúncio da formação do território português, pois influenciaram profundamente a unidade geográfica e populacional da região.

    Mas penso que a determinação do território português partiu da consciência dos Barões durienses que se reuniram em redor de D. Afonso Henriques. Não é possível conceber que o Reino de Portugal tenha sido constituído por um garoto de catorze anos e pela vontade dos Barões que passavam todo o tempo a lutar entre si.

    A verdade é que houve uma série de enleios, de complicadas uniões políticas. Se os moçárabes não tivessem acompanhado o movimento dos Barões durienses, Portugal não existia.

    L – Mas se essa realidade não residia no território, no povo ou na língua, temos de admitir que ele deriva de um plano mais próximo do filosófico que de um plano político…

    GD – Sim, essa realidade era espiritual. Lembro-lhes que o Cristianismo já existia há muitos anos na Península e que, por exemplo, na época dos romanos foi criada a seita de Prisciliano, cuja influência se fez sentir nas regiões nortenhas onde existiam pequenos núcleos de culto e cultura religiosa. Decerto que contribuíram para essa unidade.

    L – Parece-nos, contudo, que a origem de Portugal se pode colocar num plano espiritual, mas nunca num plano religioso já que não havia uma harmonia religiosa.

    GD – No plano religioso e eclesiástico é claro que houve problemas. Por exemplo, a oposição de Braga a Santiago de Compostela contribuiu para a formação da nacionalidade.

    Também não devemos deixar de considerar a contribuição das ordens religiosas para a construção da nossa Pátria. As ordens de Cluny e de Cister. Digamos, o Cristianismo fez desaparecer muitos cultos e, noutros casos, assimilou-os.

    L – Afirmou que os árabes não tiveram influência na formação de Portugal. Contudo, a língua portuguesa possui elementos muçulmanos…

    GD – Não, não. A língua portuguesa é moçarábica. Não podemos esquecer que a região de Coimbra era um importante centro moçarábico. Os moçárabes são cristãos de cultura antiquíssima da Península Ibérica.

    Os problemas da língua pátria relacionam-se com o aparecimento do cristianismo peninsular. Há palavras que evoluíram especialmente no moçárabe. Por exemplo, há uma terra perto de Vila Real de Santo António chamada Cacela. Esta palavra vem do latim Castella, que significa castelos. No castelhano, a palavra evolui para castilla. Portanto, não é deste castilla que resulta Caçela. A passagem do ST para o ç só se verificou no moçárabe, o que prova a influência moçarábica.
     
    Forneço-lhes outro exemplo: no Algarve diz-se grizéus, nome dados às ervilhas verdes. Gri significa verde acinzentado no sul de França e na costa levantina de Espanha. Daí vem griziu que dá grizeu, o que só aconteceu no moçárabe. A influência é mais moçárabe do que árabe…

    L – É possível relacionar o messianismo português com o pensamento árabe?

    GD – Não o relaciono com o árabe, mas antes com o hebraico. Os árabes têm a ideia do Mahdi.

    O messianismo sebastianista é um valor nacional extraordinário. É uma prova de sobrevivência de Portugal. O sebastianismo é popular, nasceu de circunstâncias trágicas e pavorosas. No entanto, não o concebo como uma mística religiosa universal.

    L – Revertendo às relações entre o Islamismo e o Cristianismo. Hoje, existe diálogo entre estas duas religiões?

    GD – Sim. A prova é que se está a realizar. O ponto de contacto tem sido a Espanha e as famosas reuniões de Córdova. Nestas iniciativas fazem-se ofícios religiosos cristãos e muçulmanos no mesmo espaço físico, a Mesquita Catedral de Córdova, embora em separado.

    A Igreja Católica sempre se recusou a participar nos congressos de religiões que se realizavam em Chicago porque não considerava os outros cultos como realidades positivas no domínio religioso. De tal modo assim era, que julgava uma ideia herética o diálogo entre religiões.

    Depois do Vaticano II, a hierarquia eclesiástica modificou a sua posição e levou a efeito os encontros de Assis que contou com budistas que, até então, não eram considerados. Penso que a mudança de atitude se deve à II Guerra Mundial e à insistência dos intelectuais europeus, que procuram conhecer o mundo muçulmano.

    L – Considera esse diálogo possível no domínio da teologia?

    GD – Há uma coisa em comum: a unidade de Deus. Até certo ponto entre cristãos e muçulmanos pensa-se que se está adorando o mesmo Deus, um Deus único anunciado por Abraão, que se relaciona igualmente com o judaísmo. Portanto, parece tratar-se da mesma divindade. Na realidade, entre Cristianismo e Islamismo existem semelhanças que permitem o aproximar das duas religiões, apesar de as concepções teológicas e simbólicas divergirem.

    No entanto, penso que esse diálogo tem um sentido político. A Europa não vê com bons olhos a união do mundo muçulmano à União Soviética.

    Aliás, a escolástica foi influenciada pelo pensamento árabe, e até houve doutores em Paris que defendiam as ideias de Aristóteles segundo a interpretação de Averróis. Recordo que S. Tomás de Aquino conheceu os textos árabes de Aristóteles.

    O historiador espanhol Miguel Asín Palacios, a maior figura do arabismo peninsular, tentou demonstrar a influência da mística islâmica na mística cristã. Pessoalmente, não descortino essa influência no misticismo português.

    quarta-feira, 10 de agosto de 2022

    quinta-feira, 28 de julho de 2022

    Alemanha, o elo mais fraco da Europa

    Sem energia nuclear, dependente da Rússia na energia e da China no comércio, a Alemanha parece cada vez mais o elo mais fraco da Europa.



    sexta-feira, 22 de julho de 2022

    CHINA: A different kind of Partying for HSBC bankers bankers

    The Financial Times reports that HSBC has established a Party committee in its China investment bank entity. 

    I am not sure why anyone would be surprised by this. The Party leads everything in the Xi Era and one of his initiatives has been to reinsert the Party into almost every entity of any size in the country. 

    What is more interesting is what this means for other Western banks operating in the country, as overt Party cells in banks like JP Morgan and Goldman Sachs may cause them some headaches in their home market.

    Fonte: 

    Bill Bishop at "Sinocism"

    sábado, 16 de julho de 2022

    Costa volta a recorrer a um General, face a uma situação crítica

    General, algarvio, filho de militar, especialista em guerra de informação, NTIC e ciber, Paulo Viegas Nunes (56 anos), co-fundador e ex-presidente da associação CIIWA - Competitive Intelligence & Information Warfare Association e ex-director da  Academia de Informações e Comunicações da NATO, é o novo 'patrão' do SIRESP, aqui apresentado num óptimo trabalho de Valentina Marcelino, no DN, que merece registo. 


    O Sr. SIRESP. Uma "vida errática" com boxe, deserto e Guerra da Informação

    Valentina Marcelino | DN | 11 Julho 2022 — 00:08

    Paulo Viegas Nunes
    , brigadeiro general do Exército e ex-diretor da Academia de Informações e Comunicações da NATO, é a aposta do governo para gerir o SIRESP. Este engenheiro eletrotécnico é a antítese do nerd: é paraquedista, foi campeão de boxe, adora contar histórias e o cheiro das monções africanas.



    Viegas Nunes diz que a vocação pelas comunicações surgiu logo quando estava no 9.º ano, nos Pupilos do Exército.© Leonardo Negrão/Global Imagens

    Paulo Viegas Nunes, 56 anos, é o novo presidente da empresa Siresp S.A., que gere as redes de comunicações de emergência do país. Brigadeiro-general do Exército da arma de transmissões, é o único doutorado das Forças Armadas em Guerra da Informação.

    Assume que tem uma história de vida "um pouco errática", que começou em Tavira, e passou por vários países, entre os quais Guiné-Bissau, Angola, Itália e até pelo deserto do Saara, numa missão interrompida uma semana para se casar.

    A sua escolha para presidente do conselho de administração da Siresp foi a solução para pôr fim a um período de grandes pressões marcado pelo conflito aberto entre o governo e a então líder da empresa, com acusações mútuas de favorecimentos a empresas.

    Francisca van Dunem, na altura com a pasta da Administração Interna, quis afastar "suspeições de conflitos de interesses" e não reconduziu Sandra Perdigão Neves, ao mesmo tempo que ordenava a substituição de um consultor da secretaria-geral do ministério, sobre cuja imparcialidade havia dúvidas.

    "Era urgente escolher alguém com qualificações, independência, sentido de Estado e espírito de missão", contou ao DN fonte governamental envolvida no processo.

    "O primeiro-ministro fez questão de que fosse um militar, a sra. ministra falou com o então ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, e o nome do general Viegas Nunes surgiu muito rapidamente como a escolha óbvia", acrescenta.

    Acabado de assumir o cargo de diretor de Comunicações do Exército, Viegas Nunes recebeu o telefonema do Chefe de Estado-Maior do Exército (CEME), Nunes da Fonseca, com um misto de surpresa e orgulho.

    "Não havia como dizer que não. O SIRESP é um serviço crítico essencial para o país que é preciso salvaguardar neste momento. Estou habituado a procurar soluções. Para um militar, quando se lhe atribui uma missão, é para cumprir. Fiz a minha avaliação, identifiquei o problema e propus as minhas soluções", frisa.

    Alinhamento internacional

    A sua primeira (e espinhosa) tarefa foi concluir o caderno de encargos para o concurso público internacional que vai selecionar os melhores fornecedores para a operação e manutenção do SIRESP.

    Um ponto de honra para o governo depois de, em junho de 2021, ter sido obrigado a fazer um ajuste direto com os mesmos fornecedores de há 14 anos, porque o ex-ministro Eduardo Cabrita não tratou do processo a tempo.

    "Havia problemas a ser resolvidos e essa foi a minha primeira missão. O caderno de encargos foi pensado e reformulado", afirma.

    "Toda a engenharia por detrás do concurso dá boas soluções. A rede foi preparada para suportar as novas tecnologias, LTE (Long Term Evolution) e outras que permitem a transmissão da imagem e som (esta complementa a atual tecnologia de voz). O contrário seria um estrangulamento. Com este concurso a base foi alargada de forma a permitir toda a evolução tecnológica 5G, 6G, o que for. O nosso plano é que sejam feitas experiências-piloto, com ilhas de utilização para validar as condições de segurança, antes de se generalizar. Estamos completamente alinhados com o ciclo internacional, que prevê que seja esta década de 20 a ser o período para esta evolução. A maioria dos países estão neste momento a iniciar projetos-piloto nesse sentido", reitera.

    Embora tenha recusado reagir às críticas da sua antecessora, Sandra Perdigão Neves - que acusou o governo de ter feito um concurso à medida para uma das empresas fornecedoras, impedindo a evolução tecnológica -, estas declarações não deixam de ser a resposta às alegações de favorecimento no concurso público internacional que a secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, garantiu, em entrevista ao DN, ser "à prova de bala".

    Boa parte desta exigência de imparcialidade está no júri. "Os membros do júri, presidido pelo professor de Telecomunicações do IST, Luís Correia, foram selecionados de três origens relevantes: da entidade reguladora, a ANACOM, da engenharia, com a Ordem dos Engenheiros, e da academia, com o IST. Foram convidados por mim, um a um, e nenhum hesitou. Vão sacrificar muito do seu tempo livre deste verão pro bono. Há até quem venha dos Açores. Revelaram um enorme sentido de serviço público", afiança.

    Paulo Viegas Nunes nasceu em Tavira em 1966 e, reconhece, teve "um percurso bastante errático". Aos três anos a sua família seguiu para a Guiné, onde o pai, também militar, tinha sido colocado durante a Guerra Colonial. Um ano depois um novo destino, Luanda, onde ficou até à revolução do 25 de Abril. Tinha apenas oito anos, mas ficou com "as cores, sons e o perfume das monções" nas suas memórias. "Tive uma infância muito feliz", afirma.

    Em 74 regressou a Tavira, onde completou o Ensino Primário, seguindo depois para Faro. "Aos 12 anos decidi que queria vir para Lisboa, para a escola dos Pupilos do Exército. Os meus pais não gostaram muito que viesse sozinho, mas consegui convencê-los. Passei ano e meio nos Pupilos e ia a casa aos fins de semana. Para mim era muito importante aquele regresso ao Algarve, era a minha casa e sabia bem voltar. Até tive pena quando os meus pais quiseram mudar-se para Lisboa, para ficarem mais perto de mim", relembra.

    O desporto e o nariz partido

    Completou o 12.º ano nos Pupilos do Exército e classifica esta experiência como uma "escola de vida". E as exigências militares muito contribuíram para que não fosse o típico nerd de óculos, que usa, agarrado a computadores.

    Praticante de vários desportos, corria o país com a sua equipa em exibições, tendo começado por ser Campeão Nacional de Infantis em andebol.

    Ginástica desportiva e a mesa alemã, foram outras modalidades em que venceu, mas também ousou os "desportos mais radicais", revela, apontando com um sorriso para um dos emblemas da lapela. "Fiz o curso de paraquedista em Tancos", indica.

    Mas há mais. Foi campeão de Boxe na Academia Militar na categoria de meio-médio-ligeiro, modalidade que lhe valeu uma distinção muito especial: um novo órgão olfativo.

    "O meu nariz não ficou em muito boas condições e teve de ser, digamos, reconstruído", ri-se, não escondendo uma ponta de vaidade. "Não sou mesmo o estereótipo do nerd", confirma, lembrando uma das regras militares - "corpo são, mente sã".

    A vocação pelas transmissões começou logo a surgir no 9.º ano, nos Pupilos, quando escolheu a área de Eletrotecnia. "Tive, desde muito cedo, a convicção de que seria a arma do futuro", explica. O que o atraiu foi "um misto de tecnologia e futuro, no aspeto da transformação para melhorar a vida das sociedades".

    O serviço público está-lhe na pele - tal como a farda que não tira mesmo em funções civis, como a atual - e dá-lhe a tranquilidade de resistir a tentações de mudar para o privado onde, com o seu nível de qualificações, poderia ter enormes compensações financeiras. "Nunca senti esse apelo. É a minha vocação", diz.

    A sua "vida errática" continuou ainda durante os anos em Engenharia Eletrotécnica no Instituto Superior Técnico (IST), quando foi destacado para a MINURSO, uma missão das Nações Unidas no Saara Ocidental, a meio do mestrado. "Escrevi a dissertação final dentro de um contentor no deserto, em 1997", recorda.

    Foi ainda durante esta sua "travessia" no deserto Saara que se casou, conseguindo que o comandante no terreno, na altura o general Garcia Leandro, o deixasse vir a Lisboa semana e meia para a cerimónia e lua-de-mel.

    Desta missão trouxe também alguns motivos de orgulho. "Fui oficial para as comunicações das forças e consegui disponibilizar um terminal-satélite para cada time site (aquartelamento) e, assim, havia um telefone para os militares poderem receber e fazer chamadas em casos especiais familiares. Teve um impacto enorme na moral dos militares. Depois instalámos internet e podiam trocar e-mails e mensagens", conta, frisando que "as comunicações militares portuguesas têm um grande histórico e reputação".

    Regressado do Saara foi designado para comandar o corpo de alunos do 1.º ano da Academia. Um desses cadetes integra atualmente o grupo de trabalho que criou na Siresp, para preparar e acompanhar o concurso público e os desenvolvimentos tecnológicos. "Costumo dizer que esse ano (1997/1998) foi um ano vintage. Vários cadetes seguiram áreas tecnológicas e continuam a deixar a sua marca no Exército, como altamente qualificados que são", afiança.

    Destaca como alguns dos mais satisfatórios desafios profissionais, em 2001, a criação da primeira pós-graduação em Competitive Intelligence and Information WarFare, na Academia Militar, onde ainda é professor. "Este curso mudou o paradigma na Academia Militar, que passou a ser um centro especializado nessa matéria", assinala.

    Um Doctor Europeo

    O doutoramento foi a sequência natural para este oficial. A guerra da informação surgiu como tema, inspirado por um artigo que leu na Revista Militar. "Hoje vivemos um novo paradigma da moderna conflitualidade, que afeta não só a área militar, mas também toda a sociedade. (...) Neste novo tipo de guerra, o objetivo declarado é o de condicionar ou limitar a ação de um adversário, atingindo elementos sensíveis da sua IIN (Intelligent Information Network - Redes de Informação Inteligente). Dentro deste enquadramento, a Guerra de Informação, abrange tudo o que se possa fazer para preservar os nossos recursos e sistemas de informação da exploração, corrupção ou destruição enquanto simultaneamente se explora, corrompe ou destrói os recursos e sistemas de informação dos adversários, conseguindo desta forma obter a necessária "vantagem de informação", escreveu em 2006 na Computer World.

    A sua tese (Análise da conflitualidade da informação na sociedade em rede: um enquadramento para a conceção e implementação de um modelo de Estratégia da Informação Nacional) foi terminada quando estava numa missão em Bruxelas (como adjunto na missão militar da NATO na União Europeia) e defendida na Universidade Complutense de Madrid, alcançando a classificação máxima de Sobressaliente cum laude (Excelente, com distinção).

    Com a particularidade de se tratar de um grau de Doctor Europeo - tese escrita em português e defendida em castelhano foi uma das condições - válido em todo o espaço europeu.

    Cumpriu várias missões ao serviço da ONU, NATO e UE, o que lhe deu mundo. Em 2017 foi nomeado comandante na NATO Communications and Information Systems School, em Latina (Itália), escola essa que acabou por "desinstalar integralmente e transferir na totalidade" para Oeiras, com a designação de Nato Comunnications and Information Academy, onde esteve até 2020. "

    Foi um processo muito interessante. Toda a estrutura, equipamentos, laboratórios, teve de ser desmontada e reconstruída a mais de 2500 quilómetros. Foi uma operação logística gigantesca em apenas cinco meses, entre maio e setembro. Não houve férias em agosto para ninguém. Depois, foi preciso deslocalizar todo o "cérebro" da escola, todos os formadores, tudo sem nunca interromper as aulas. Iniciámos vários projetos-piloto de ensino à distância, que depois vieram a ser muito úteis na pandemia". Esta Academia certifica todos os operadores das missões da NATO.

    Depois do Curso de Promoção a Oficial General, assumiu funções de adjunto do diretor de ensino da Academia Militar e foi nomeado coordenador do Grupo de Implementação da Cyber Academia and Innovation Hub, em março de 2021.

    Quando foi desafiado para a Siresp, S.A., tinha acabado de ser escolhido para liderar a Direção de Comunicações e Sistemas de Informação do Exército.

    Um major-general que conhece Viegas Nunes pelo menos há 30 anos, destaca que é "uma pessoa muito consistente, vertical, institucional e só faz o que estiver correto do seu ponto de vista.

    Sublinha a sua "carreira nacional e internacional muito interessante", recordando que "foi muito graças ao seu trabalho que se conseguiu trazer a Academia de Comunicações da NATO para Oeiras".

    Não hesita em afirmar que "as competências técnicas que tem para o atual cargo são elevadíssimas". Este oficial general não estranha que Viegas Nunes tenha aceitado ser presidente da Siresp, S.A., porque "sendo militar, o espírito de missão está no seu ADN", mas crê que "deve ter imposto as suas condições e uma delas, foi, certamente, levar a sua equipa".

    Duarte da Costa, brigadeiro general que preside à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), considera-o "um homem muito capaz, um homem de missão".

    Este responsável, que foi acompanhando ainda no Exército o percurso de Viegas Nunes, assevera que, "da sua geração de militares, é alguém com características muito vincadas para altos cargos e por isso a sua escolha era óbvia. Trata-se de um cargo difícil, no qual é preciso lidar como muitas dificuldades, mas ele tem engenho e arte para as enfrentar".

    Planear o provável, preparar para o pior

    Desde que assumiu as funções, há pouco mais de três meses, Viegas Nunes lançou a "Academia SIRESP", com o objetivo de proporcionar formação aos utilizadores deste serviço.

    "Foi um dos problemas que identificámos e organizámos um plano de formação, composto por quatro módulos que se adaptam às necessidades de cada um: um módulo básico, outro para o utilizador da rede, outro para o gestor e área que coordena meios e um 4.º para a coordenação interagências".

    A 2 e 3 de junho organizou o SIRESP Tech Days, juntando utilizadores e várias empresas tecnológicas fornecedoras destes serviços. "A ideia foi promover o diálogo para identificar necessidades e debater as melhores soluções", explica.

    Foram preparados vários cenários e os participantes trabalharam em conjunto para os enfrentar: um terramoto seguido de tsunami, um furacão a atravessar vários distritos do país, um acidente em túnel ferroviário e um blackout total, com ausência de comunicações a nível nacional.

    Pelo que já conhece do SIRESP, Viegas Nunes considera-o um sistema com "resiliência suficiente para evitar que qualquer situação mais complicada comprometa a emergência e a segurança do país".

    Acompanhou os trágicos fogos de 2017 a partir de Itália, quando comandava a Escola da NATO, em Latina.

    "Frequentemente existiam também numerosos incêndios na zona onde estava, na estrada de Pontina, que liga Latina a Roma. Ao ter tido conhecimento da tragédia de Pedrógão senti que, coletivamente, teríamos todos de evitar que as lacunas, fragilidades e constrangimentos verificados se voltassem a repetir. No caso do SIRESP, as lições aprendidas converteram-se em ação, tendo sido reforçada a redundância de comunicações , com quatro novas estações-móveis e instalando-se um terminal-satélite em todas as estações-base, reforçando-se também, neste processo de aumento de resiliência da rede, a energia socorrida com 18 grupos de geradores prontos a ser utilizados em caso de necessidade".

    É do quartel-general da Siresp, na sala de operações, onde é monitorizada em tempo real o estado da rede e antenas durante as operações (era quinta-feira e a onda de calor já começava a provocar vários incêndios no país), que nos diz que "a Siresp está em reestruturação profunda, visando a internalização de funções, para que o Estado assuma todo o poder", e, para isso, salienta "tem de haver um reforço de competências".

    De resto, é consultar a "cartilha" do planeamento militar: "Planeamos para a situação mais provável e para a mais perigosa, minimizando os riscos".

    valentina.marcelino@dn.pt

    sábado, 9 de julho de 2022

    segunda-feira, 4 de julho de 2022

    A Morte Misteriosa do 'Czar' da Economia de Cuba

    Casado com uma filha de Raul Castro, o general López-Calleja (62 anos) dirigia com mão de ferro a GAESA, uma espécie de holding que controla uns 80% da economia cubana, ou seja, quase todos os negócios e negociatas legais e ilegais. Das causas da sua morte, nada é, por enquanto conhecido: o comunicado oficial diz que morreu devido a "uma paragem cardio-respiratória"... como toda a gente, claro.


    A organização de jornalistas Organised Crime and Corruption Reporting Project (OCCRP) considerava, desde 2016, López-Calleja "um dos homens mais corruptos do mundo" e o Tesouro americano havia-o colocado na sua lista negra em 2020...

    Os nossos amigos da "Conflits" analisam os significados possíveis desta morte súbita do homem que era visto como o único a poder fazer sombra ao actual "presidente" cubano Miguel Diaz-Canel.

    quarta-feira, 15 de junho de 2022

    Voltar ao Mar É Preciso!


    A entrevista do ministro António Costa e Silva ao 'Diário de Notícias', do passado dia 8, é (talvez) o mais importante documento, das últimas décadas, sobre a geoeconomia portuguesa. 

    Uma leitura imprescindível para quem tente perceber o que pode ser a posição de Portugal e as funções que pode ter no modelo global emergente. 

    Além de que, para variar, observar um político que pensa é sempre uma oportunidade a não perder. Por isso, registo.

    terça-feira, 7 de junho de 2022

    Tecnologia Militar da China: O "Estado da Arte"

    WATCH: China's New J-16 Electronic Warfare Fighter Shocked The World 

    https://www.youtube.com/watch?v=M-r_YkWZ5x4



    Vladislav Surkov volta a explicar o "Modelo Putin"


    «Notre nouvel État aura une glorieuse histoire»

    “Le modèle contemporain de l'État russe commence par la confiance et tient par la confiance. C'est ce qui le différencie du modèle occidental, qui cultive la méfiance et la critique. C'est de là qu'il tire sa force. Notre nouvel État, en ce nouveau siècle, aura une longue et glorieuse histoire. Il ne sera pas brisé. Il agira à sa manière, obtiendra et conservera les meilleures places dans la ligue des champions de la lutte géopolitique. Tôt ou tard, tous ceux qui demandent à la Russie de "changer de comportement" devront se résigner à l'accepter telle qu'elle est. Après tout, qu'ils aient le choix n'est qu'une illusion.”

    Tradução do original em russo do texto de Surkov "La Longue Gouvernance de Poutine", pelo “Le Point” e pela fundação Fondapol

    https://www.lepoint.fr/monde/vladislav-sourkov-notre-nouvel-etat-aura-une-glorieuse-histoire-10-03-2022-2467612_24.php

    quarta-feira, 1 de junho de 2022

    John Robb: A Guerra Pelo Futuro

    A mais recente comunicação do nosso amigo John Robb sobre a "guerra civil" em curso no Ocidente e travada online: Cultura, tecnologia e definição do nosso futuro, temas que Robb tem trabalhado, nos últimos 20 anos, e de que, nesta comunicação, apresenta o "estado da arte". 
    Thanks, John.

    The War for the Future

    There's a war for the future underway. It's being fought online. Here's some insight into how it is being fought, and what is at stake.

    John Robb | May 31

    World War 3 is a guerrilla information war with no division between military and civilian participation.

    Marshall McLuhan, 1968



    The western world is now engaged in a guerrilla information war, and it’s a guerrilla war where everyone is a participant, whether they know it or not. 

    We can see evidence of this war all around us.

    · We saw it in the sudden, unexpected, and potentially catastrophic mobilization for a global war with Russia after it invaded Ukraine.

    · We see it in the efforts to control online speech, the war on misinformation, and the disconnection of politicians.

    · We see it in the increasing distrust of institutions and experts.

    This is an online war to decide who controls the western technosphere — an environment of interconnected technological artifacts that most of the world is now living within.

    What does control of the network technosphere provide the winner? It provides the winner with the ability to:

    · to set and strictly enforce standards of speech and behavior of billions, both online and offline (increasingly).

    · to direct or redirect public debate and political discourse (either to solve problems or control outcomes).

    · implement sweeping social change on a global scale using online incentives, control over information flows, and draconian punishments (the ability to disconnect dissenters).

    Let’s explore this a bit.

    The Network Technosphere

    We don’t live in a physical environment anymore.

    · We now live inside a networked technosphere. A world operated and controlled by interconnected technologies. While the environment provides us with new capabilities, it has complexified the challenges (from terrorism to financial collapse to COVID) we face, making them difficult to solve using traditional methods.

    · The technosphere envelops and immerses us from the moment we wake up until we go to sleep. In most cases, our ability to utilize it effectively determines our success or failure, both economically and socially. In short, we’ve become so dependent on it.

    · Our immersion has altered us. It’s rewiring our brains in ways we don’t fully comprehend, from processing information to relating to others, and that rewiring is driving changes in the way we organize our society.

    Swarm vs. Horde

    The antagonists in this war consist of people who have responded to this rewiring differently. One network seeks cohesion, consensus, and collective action, and the other wants to leverage the network to maximize individual and local autonomy. 

    Here’s some detail:

    · The cohesive network swarm seeks to impose a strict secular orthodoxy over the west. It engages in moral warfare to coercively align people, corporations, and governments with influence over the technosphere into alignment.

    · The disorganized network horde seeks to prevent the swarm from imposing its orthodoxy through disruptive dissent. It uses the leverage provided by the network to mount disruptive attacks that actively erode support for the swarm’s alignment.

    · This war will rage on until one side wins or we develop a method of networked decision-making that incorporates the strengths of each approach into an integrated whole.

    Let’s dig into the details of each.

    Coercive Alignment (The Swarm)

    The network swarm wants to tame the technosphere by using it to aggressively eliminate everything they see as a threat (racism, sexism, colonialism, fascism, etc.). When it sees a threat, it rapidly mobilizes (using empathy triggers) to amplify the danger posed by the threat and gain (or coerce) support for network controls to prevent it from reoccurring in the future.

    Online, the swarm fights through moral warfare. It does this by using the network to amplify the menace of new threats — which creates widespread fear and anxiety — to force people to act cohesively and forcibly (usually by imposing limits and restrictions) to oppose it¹. The more threatening the danger, the larger and faster the response. The moral axis of the swarm has three parts:

    · Equalization. “We can only be free when we are equal in every way.” The elimination of all power differentials between individuals, from wealth to weapons ownership to social status. Example: “Gun owners put us all at risk.” Equity: equality of outcome. Restorative justice: compensation for groups that have suffered historical inequality through forced restitution (by those in privileged groups) and enhanced opportunities.

    · Transhumanism. The need to transcend the human condition’s limitations, tyranny, and weaknesses. Transsexualism (LGBTQ….) is merely the tip of the iceberg. Transhumanism also radically transforms human relationships (friendship, family, sex, etc.). Transhumanism isn’t just an option; it’s a moral imperative. NOTE: Transhumanism will accelerate with the advent of augmented reality (AR).² AR allows people to change how they are perceived.

    · Safeness. “An injury to one person is an injury to all of us.” No damage or injury is morally permissible if due to human action or inaction and must be prevented, regardless of the costs or limitations on freedoms involved. Injuries range from death to a loss of self-esteem/image. Injuries caused due to power differentials (privilege) or opposition to transhumanism are seen as existential threats and/or unmitigated evil.

    Disruptive Dissent (The Horde)

    The horde’s goal is to slow, alter, or prevent the establishment of a restrictive online orthodoxy. It spontaneously forms in response to encroachment. Disruptive dissent is usually only cohesive when it mobilizes to protect a superempowered individual who has the ability to hold the Swarm at bay (Trump, Musk, etc.).

    Online, the horde fights in the psychological realm through maneuver and fast transients (quickly changing topics)³. It does this to disrupt, disorient, and overload the swarm’s thinking ability. Unlike the swarm, the horde is motivated by underlying factors that energize human behavior. These include:

    · Autonomy. Freedom of mind and body. To be allowed to think, speak and act differently, particularly in opposition to the prevailing wisdom—the ability to take significant or dangerous risks and occasionally be wrong. Autonomy is only restricted when those actions would cause tangible and considerable harm to others (a high bar).

    · Localism. A desire for control over the local environment (the physical offline reality). The ability of individuals, families, and communities to think, behave, and operate differently than what the present consensus mandates — which often manifests as a focus on family (formation), religion (local moral standards), and community (the rules). Opting out of global standards is prized both individually and collectively.

    · Dissimilarity. Reverence for differences in human beings due to innate characteristics (intelligence, strength, gender, upbringing, etc.), those achieved through status-seeking behaviors (wealth, bodybuilding, knowledge, experience, etc.), and choices (owning guns, religious beliefs, etc.). In short, they believe that seeking differences is a good thing.

    We’ll get into how this war will play out in a future report.

    Sincerely,

    John Robb



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    Trump, 17.06.2025